Este final de semana foi dia de rally. Teve rally de regularidade da Mitsubishi em Vitória, onde vários amigos participaram, mas também teve rally a pé. E eu (Léo) participei desta aventura e vou contar com detalhes.

Como todo rally, temos que começar a nos preparar já bem antes da data do evento. O primeiro grande desafio foi organizar a equipe e quem faz o que. Nossa equipe no rally a pé foi formada por um piloto, um navegador… não, espera… é quase isto. Foi o Daniel Manse como contador de passos, que faz o papel do piloto, Edgard Almeida como navegador, que fica com a planilha e marcando o ritmo e eu como backup dos dois, tipo zequinha mesmo.

Durante a semana foi hora de preparar os equipamentos. No rally a pé nós utilizamos o Totem Colosso (irmão mais velho do EVO) com a botoeira ligada no lugar do sensor do carro, onde a cada passo nós apertamos a tecla AUX e ele gera um pulso ou um metro no Colosso. É possível aferir o equipamento da mesma forma que fazemos nos carros, ou seja, você deve percorrer com passos normais uma distância conhecida, 50 metros por exemplo, e a cada vez que você pisa com o pé direito (passo duplo) você pressiona uma vez a botoeira. No final dos 50 metros, onde seu pé direito parou, você afere o Colosso com aquela metragem. Funciona que é uma beleza… mas isso em condições normais né… numa subida, numa descida, correndo ou até mesmo dentro de um lago (que pode acontecer) a coisa muda de figura. É possível gravar um %W para até 4 tipos de passos e você pode utilizá-los para momentos diferentes como subida, descida, correndo ou andando. Além do Colosso para contar os passos é muito importante um cronômetro – sempre né! – calculadora e bússola que, sem esta, você não faz o rally a pé, mas já explico adiante.

Outra coisa que você tem que preparar é sua roupa e demais equipamentos. Uma boa bota de trekking, calça e camiseta adequadas, boné e protetor solar. No meu caso levei também uma mochila para carregar um pouco de água,  barrinha de cereais (mesmo que eu tenha levado várias, não deu tempo de comer), bateria extra para o Colosso, câmera fotográfica (GoPro), toalha, outra camiseta, óculos, repelente e outras coisas. Aqui a dica é: Não exagere! Se não deu tempo pra comer a barrinha de cereal, você acha que vai dar tempo de fazer qualquer outra coisa??? Então no próximo não vou levar nada disto… #ficaadica

Bem, tudo pronto, dormir cedo porque não é só no rally de carro que se sofre de TPR (Tensão Pré Rally). Acordamos cedos e fomos para Itu, no Parque Maeda, onde aconteceu a prova. Nossa equipe largaria às 11h30, e se levássemos em média 2h40 para completar o rally, fiquei imaginando o sol que estaria em nossas cabeças…

Chegando lá foi praticamente tudo igual ao rally de regularidade. Primeiro a secretaria de prova para confirmar a inscrição, onde a empresa que organiza o evento, a North Brasil, tem tudo organizadinho! Camiseta, uma planilha impressa para cada integrante da equipe, ficha médica que deve ser preenchida por todos os participantes e até empréstimo de equipamento (calculadora, bússola e cronômetro, para os esquecidinhos).

E também, como no rally de regularidade, o ideal é dar uma olhada na planilha… aí fica a outra dica: chegue cedo! Nós chegamos mais cedo, 2 horas antes da nossa largada. Um ponto um pouco diferente do rally de carro é que a ficha técnica da prova fica disponível no site da North, então cada competidor que irá usar um equipamento tipo o Colosso tem que ir no site, baixar a ficha técnica e digitar cada um dos trechos. Por um equívoco nosso, digitamos todos os trechos de uma prova passada, aí valeu o tempo que a gente chegou antes pois conferimos os trechos, vimos que tínhamos digitado errado e deu tempo de sobra de corrigir. Ufa… Mas antes de alinharmos para a largada ainda falta encher as garrafinhas de água e passar protetor solar… muuito protetor solar.

Alinhar, preparar e… olha o passarinho… sempre vale um registro não é mesmo?

EnduroPe_Prova_6

Edgard, Eu (Léo), Anselmo, Daniel e Silvia

Agora sim, de novo… Alinhar, preparar e… corre negada!!! Não, corre não.. o ritmo da prova, ao contrário que um gordinho lindo como eu pensava, é muito mais tranquilo. O ritmo é uma caminhada até mais lenta do que eu costumo andar no dia-a-dia. E como é um rally de regularidade não pode acelerar e, pior ainda, para cada segundo adiantado que você passar no PC leva o dobro de pontos. Na dúvida “take it easy”!

A prova já iniciou com o uso da bússula. Tinhamos que seguir a 185º. Fácil, fomos na direção correta e aí sim começou a prova. Anda no ritmo certo, conta passos, contorna o alambrado e próxima tulipa. Muda a velocidade, o ritmo um pouquinho mais rápido. Para ditar o ritmo, além do tempo que o Colosso indica para a gente, nós utilizamos um metrônomo, um equipamento que mede o ritmo para música, nos ajudou muito nesta tarefa. Sorte nossa ter um baterista na equipe, não é Manse?

Já no início da prova, logo aos 25 minutos, uma pegadinha… daquelas mesmo, um balaio daqueles, tínhamos que andar beirando uma cerca viva e em determinado lugar, numa determinada metragem, tínhamos que atravessar a cerva viva e continuar beirando o outro lado e depois de mais alguns metros, atravessar novamente e continuar do outro lado… isso não parece nada complicado, mas quando você está medindo metros com passos que nem sempre são todos do mesmo tamanho a coisa complica, e se não tivesse tantas passagens nesta cerca viva. A gente passou por uma destas passagem e ainda faltavam 4 metros pelos nossos cálculos, mas andando os 4 metros não tinha outra abertura na cerca, e 4 metros pra frente tinha outra passagem. E agora??? F****… qual é o correto? E o pior, no meio delas tinha um PC.

Aqui cabe uma outra explicação: alguns PCs são apenas umas plaquinhas no chão com um aparelho onde você encaixa o chip, que cada equipe recebe no início da prova, e ela grava o tempo exato que você estava no local. Alguns têm uma pessoa junto com este aparelho que faz isso para você, e outros ainda, os PCs Virtuais, são pessoas que assim que você chega no ponto determinado, perguntam quantos metros tinha do início do trecho até o local do PC… detalhe, neste caso na planilha não tem nenhuma informação de metragem, apenas identificação visual. Aí meu amigo… cada passo, mais do que nunca, tem que ter sido igual ao anterior. Cada metro que você fala errado é um ponto somado no seu resultado.

Voltando à prova, continuamos seguindo nossos instintos, entramos na abertura da cerca viva que achávamos que estava correta, pegamos o PC que estava visível na nossa frente e seguimos em frente. Passamos por estradas de terra, utilizamos mais vezes a bússola para saber para qual lado devíamos seguir, sobe morro, desce barranco, segue pela trilha, no meio do pasto, debaixo de árvore, no meio da mata, passamos em tudo quanto é terreno. Até pular cerca tivemos que pular… Nãoooo, não este tipo de pular cerca… enquanto nós estávamos lá, firmes e fortes, todos fitness, em meio a natureza, suando, nos esforçando, nossas esposas estavam em casa, ansiosas por notícias de nossa performance. #SóQueNão… estavam no boteco, bebendo caipirinha. Pode isso, Arnaldo?

Bem, depois de 1 hora de prova chegamos num tal de Marco Zero do PC Virtual. Meeeedo. É o trecho que comentei acima onde não tem nenhuma marcação de metros, apenas a velocidade que você deve caminhar no trecho e em alguns locais os PCs estão à espera para que você diga qual é a metragem até eles. Esta parte é uma das mais temidas do rally a pé. Tem também o rally de bússolas, mas como não tivemos que fazer isso não vou entrar em detalhes neste post. Bem, seguimos em frente, passo por passo, no ritmo indicado pelo nosso metrônomo e seja o que Deus quiser…

PC: E aí pessoal, qual a metragem até aqui desde o início do trecho?

Nós: Eu aaaacho que 420 metros.

PC: Tá bom, podem seguir…

E aeee?? Só isso, tem mais um moooonte de tulipas, todas sem metragem, e eu não sei se errei por 5 metros ou por 50. Sem jeito, o negócio é continuar contando passos até a próxima referência. Tivemos que pular uma porteira desta vez, e isto atrasou um pouquinho… bora apertar o passo para entrar no tempo que achávamos que estava correto, e depois de mais 350 metros, outro PC virtual. Outro chute de metros e bora continuar.

Mais alguns minutos e chegamos no neutro. Água, isotônico, banana e melancia para refrescar e repor nossas energias e vamos para a segunda e última parte da prova.

Seguimos no mesmo ritmo, tudo igual e tranquilo, até um determinado local onde as equipes tiveram que se separar. Uma parte segue a planilha A e a outra parte a planilha B e, como no PC Virtual, todo este trecho não tem nenhuma metragem… no final, se ninguém errar o caminho, as duas partes se encontram e informam quantos metros que cada uma andou, soma e informa o total para o PC Virtual. Imaginou a tensão? Agora no meio da trilha, imagine você errar um caminho e perceber depois de uns 50 metros que não era lá que você deveria estar? Ahhhh, agora sim… CORREEEE NEGADAAAA!!!!!

 

Volta tudo, chega até onde temos certeza que estávamos certo e segue pelo outro caminho. Bom, nos achamos, e mesmo com 1 minuto de atraso encontramos nossa outra metade da equipe. Metade de 1 só né, o Daniel seguiu o outro caminho e também teve um pequeno probleminha no trecho mas chegou no tempo certo para nos encontrar.

Bem, tudo ok, demos nossa metragem para o PC Virtual e seguimos em direção a chegada do rally. Neste caminho de volta passamos pelo primeiro trecho novamente, aquela pegadinha da cerca viva que falamos lááá no começo deste post, lembra? Pois é, ao passarmos por um PC numa destas entradas da cerca viva, vimos que já tínhamos passado por ele no início da prova… pronto F**** de novo… kkkkk. Ou erramos na ida, ou erramos na volta. Bem, está dando tudo certo, então vamos continuar. Mais alguns minutos e estávamos de volta no pórtico de chegada.

Ufaaaaa, nem acredito, eu que achava que nem iria aguentar o trajeto, fiz numa boa, juro que dava para fazer mais 5km de prova tranquilo… e foi muito legal, adorei ter participado.

Agradeço aos amigos Daniel Manse e Edgard Almeida por me deixarem fazer parte disto tudo. Estou dentro da próximas etapas.

Ah, e o resultado disto tudo? Ficamos em 16º de 35 equipes, pois realmente 2 PCs que eram para termos pego na volta acabamos pegando na ida, no balaio da cerca viva e só aí foram 1800 pontos (900 em cada)… e nos PCs virtuais, não fomos tão bem assim… o primeiro eram 406 metros e falamos que havia sido 468, no segundo eram 713 e falamos que foram 770, e no PC onde a equipe se separou, a soma deveriam ser 2167 metros e para nós foram 2091 e para cada metro errado também soma-se um ponto… e estamos até agora procurando o PC 6 que passamos batido.

Confira os resultados do Rally a Pé clicando aqui.

 

Aproveitamos também para conversar um pouquinho com o Anselmo, um dos organizadores da prova, e olha o que ele disse para gente sobre o Rally a pé:

Ao contrário do que muitos imaginam, não é preciso ser “atleta” para participar desse esporte. Para quem conhece outra modalidade de regularidade como: carros , motos, bike etc, se adapta perfeitamente, a diferença está no próprio nome …..A PÉ.

O Enduro a Pé, Rally de regularidade, consegue aliar uma atividade divertida, com muita segurança e custo relativamente baixo comparado com outros esportes de aventura. Além disso, pode ser praticado, não só entre amigos, mas com os próprios familiares.

A modalidade é o casamento perfeito de competição, lazer e aventura. Proporciona contato com a natureza, raciocínio e estratégia.

Qualquer pessoa pode praticar o enduro a pé de regularidade, desde que conheça e respeite seus próprios limites e os limites da natureza.

Desde 2002 a northbrasil ( www.northbrasil.com.br) sediada em campinas SP, organiza esse esporte na região, com uma média de 600 participantes por prova, sendo a maior organização dessa modalidade no Brasil.

Anselmo Bettini