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Desde o ano de 2014 fizemos diversas pesquisas para o lançamento de um novo portal onde reuniríamos assuntos relacionados a rally e foi em uma destas pesquisas que que encontramos um projeto de crowdfunding (plataforma de financiamento coletivo) que seria para o lançamento do livro O Caranguejo do Saara, baseado nas coberturas do Rally Paris-Dakar de 1999 e 2000, que o jornalista Julio Cruz Neto fez para o Grupo Estado. O livro não fala da competição em si, mas de tudo que a cerca, especialmente as pessoas que vivem nos locais isolados do deserto africano, a reação delas à passagem da caravana, o choque cultural, as histórias divertidas, perigosas, assaltos, ameaças terroristas e por aí vai.

Basicamente, é uma espécie de documentário escrito, com algumas pitadas de ficção e muitas fotos, também clicadas pelo repórter. Trata-se de um registro histórico de como era o rali quando era na África – hoje, é disputado na América do Sul. É uma experiência única que o dinheiro não compra, e por isso a ideia de compartilhá-la.

O Tulipa Rally desde o início apoiou o projeto antes mesmo do seu lançamento e ficamos muito orgulhosos pelo sucesso do crowdfunding e aguardamos ansiosos pela nossa edição. Em janeiro recebemos a notícia do próprio autor do livro sobre um dos eventos de lançamento do livro e ao mesmo tempo um bate papo com o piloto Klever Kolberg, pioneiro brasileiro no Paris-Dakar. Como não poderíamos perder a oportunidade, fomos lá conhecer o autor, o piloto e ainda trazer nosso livro.

Foi incrível… o bate papo foi realmente enriquecedor e a partir daquele momento o “Autor” do livro passou a ser “Julio” para nós, mais um amigo do que um conhecido. E agora no início de abril, foi a vez de um bate papo com Amyr Klink, que também participou da edição do ano 2000 do lendário rally. E como não poderia ser diferente, foi fantástica nossa noite, como vocês podem ver no breve relato no post “Como foi o bate papo com o Julio e o Amyr Klink“. Pouco tempo antes, decidimos sortear um livro O Caranguejo do Saara para um de nossos leitores, que foi gentilmente cedido e autografado pelo Julio.

Desta amizade nasce então uma nova parceria. A partir de agora, também temos para vender o livro em nossa lojinha virtual. E para melhorar ainda mais, os leitores do Tulipa Rally ainda tem 10% de desconto no livro. Que tal? Clique na imagem abaixo para comprar o livro!

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Agora conheça mais um pouquinho da história do O Caranguejo do Saara pela visão do próprio Julio…

A ideia

O projeto surgiu de uma certeza que eu tive após cobrir o Rally Paris-Dakar para o Grupo Estado. Eu tinha muito mais para contar do que cabia nas páginas dos jornais da empresa (Jornal da Tarde e O Estado de S. Paulo) e nos boletins da Rádio Eldorado.

Ao redor da competição, haviam as paisagens, o comportamento dos nativos, o choque cultural entre eles e os visitantes, as histórias divertidas, perigosas, ameaças terroristas etc. Essa experiência impagável me arrebatou. E a minha vontade, desde sempre, foi dividir todos os detalhes, como o olhar esperançoso da mulher que abordou o helicóptero de imprensa em busca de cura para os males do garoto que carregava no ombro; o diálogo por meio de sinais com o tuaregue que se recusava a falar por respeito ao Ramadã, o mês sagrado para os muçulmanos.

O livro é uma obra enxuta, com 80 páginas, ilustrada por fotos de cenas magníficas que eu capturei durante o rali. Para ser lida numa sentada. Ideal para quem gosta de relatos de viagem, histórias curiosas e para quem simplesmente é curioso sobre o que se passa longe dos nossos olhos.

Aí vai um aperitivo do livro

“Janeiro de 1999, noite caindo sobre o deserto na 12ª etapa do Granada-Dakar. Os pilotos mais rápidos já estão no acampamento fazendo reparos em seus veículos, tomando banho, matando a fome, dando entrevista, fazendo planos para o dia seguinte. Os que ficaram para trás, mais vulneráveis na penumbra, fazem planos de como voltar para casa vivos, depois de encontrarem um carro bloqueando a trilha a 52 km da chegada e serem obrigados a encostar. Com uma arma na cabeça, percebem que a corrida virou história policial, sem mocinho para salvá-los.”

E um gostinho final

“Em primeira e segunda marchas, o comboio segue varando a noite e esperando um chão mais firme para poder pisar fundo. A velocidade é pouca para cumprir o horário, mas ideal para apreciar o espetáculo da natureza naquela madrugada, a cena de Apocalipse que clareia o céu escuro e o caminho, o raio que se enterra no meio das dunas. Vários deles, na verdade. Um trovão, e outro. O relâmpago que trinca o céu. O vidro enguiçado, vai entrar água, molhar tudo. O francês pilota tranquilamente. Eu já nem sei se tenho pressa de chegar, aquilo tudo é meio hipnótico.”

Algumas fotos do livro