O jornalista esportivo, Américo Teixeira Junior,  fez uma entrevista exclusiva com os candidatos à presidência da CBA para o site Diário Motorsport sobre as principais propostas para o automobilismo brasileiro. Com autorização do autor, reproduzimos aqui no Tulipa Rally, uma parte da entrevista e as principais propostas voltada para o Rally nacional, que muito nos interessa.

“É fato que a eleição para presidente da Confederação Brasileira de Automobilismo é indireta, apenas com os presidentes das federações – e agora também a Associação Brasileira de Pilotos de Automobilismo – podendo votar. Trata-se de um colégio eleitoral de cerca de 20 pessoas. E é só. Pode parecer pouco, e de fato é, mas a legislação assim estabelece. Apesar disso, o Diário Motorsportoptou por contribuir para que a discussão sobre o tema não ficasse restrita à sala de reuniões localizada na rua da Glória, Rio de Janeiro. Para tanto, convidou os candidatos Waldner “Dadai” Bernardo, da situação, e Milton Sperafico, da oposição, para que apresentassem suas propostas para o automobilismo brasileiro, a partir de um questionário por nós apresentado. Ambos atenderam ao convite e o que o Leitor poderá ver, agora, é o que pensa cada um deles.”

Você pode conferir a entrevista na íntegra no site Diário Motorsport.

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Qual o motivo de o senhor ser candidato a presidente da CBA?

DADAI – Costumo falar que “devo muito mais ao automobilismo do que ele a mim”. Apesar da pouca idade, comparada aos presidentes antecessores, creio que acumulei experiência necessária para o cargo vindo da base, sendo bandeirinha, passando por vários cargos, desportivos e promocionais, ligados ao automobilismo. Tendo nesses últimos cinco anos estado a frente de uma das comissões da CBA. Posso e devo dar a minha parcela de contribuição para que nosso automobilismo cresça cada vez mais. O motivo é poder continuar contribuindo para o esporte que tenho paixão, com profissionalismo!

SPERAFICO – Decidi candidatar-me por dois motivos: o primeiro foi o pedido de vários presidentes de Federações que querem trabalhar em prol do automobilismo e que, como eu, querem colocar a “mão na massa” pelo esporte. O segundo é que sou um apaixonado pelo automobilismo e, por isso, decidi aceitar este desafio.

O senhor se considera capaz de ser presidente da CBA?

DADAI – Sim, caso contrário não assumiria este desafio – nem nenhum outro – se não me sentisse preparado! Como coloquei anteriormente, a minha experiência no automobilismo vem da base, fui sinalizador de pista, hoje estou como atual presidente da Federação Pernambucana. Fazer com muito recurso é uma coisa, mas pegar uma federação que não dispõe de tanto e conseguir fazer automobilismo, em várias modalidades, não é fácil. Trabalho em equipe, participação ativa de todos os envolvidos. Essa foi nossa forma de gestão na FPeA e vem dando certo! Já fui promotor de eventos, sou pai de piloto, ou seja, já transitei por todas as esferas e lados possíveis do automobilismo, de torcedor a dirigente. O importante, para exercer este cargo, é conhecer corrida de carro e não só carro de corrida!

SPERAFICO – É um cargo que exige muito conhecimento do esporte e experiência. Estou envolvido com o esporte a motor, na prática mesmo, desde 1975, quando estreei na motovelocidade. Durante este tempo todo, além de piloto, tive experiência como presidente de clube; posteriormente na vice-presidência de Federação Paranaense e, atualmente, como vice-presidente da CBA. Tenho muita experiência acumulada dentro e fora das pistas e quero entregar isso ao esporte. Considero-me totalmente capaz para o desafio.

Qual o seu currículo no automobilismo?

DADAI – Sempre fui um apaixonado pelas corridas, sonhava em poder ser piloto. Com a criação do autódromo de Caruaru, tive a oportunidade de fazer parte da equipe de sinalização, era uma forma de estar perto, ou melhor, dentro, literalmente, das corridas. Fui bandeirinha por cinco anos. Nesse período, assumi a chefia dessa equipe e passei a frequentar as reuniões da federação. Posteriormente, passei a fazer parte do quadro da federação pernambucana, na parte de competição, sendo diretor de prova ou comissário desportivo nas provas de Kart, Velocidade, Rally. Afastei-me da federação por cinco anos, período em que fui promotor de eventos no estado, através da empresa Pro Racing, onde fizemos arrancada, sendo considerada na época uma das cinco melhores do país. Retorne à federação, a convite do então presidente Zeca Monteiro. Fui diretor financeiro e, posteriormente, vice-presidente, sendo eleito presidente desta FAU em 2013. Atuei como comissário desportivo da CBA, de 2010 a 2012, em provas nacionais da Stock e Truck, posteriormente, recebi o convite para assumir a CNV – Comissão Nacional de Velocidade – da CBA. Acompanho meu filho de 13 anos, que é piloto de kart desde os seis anos. Isso é muito bom, uma oportunidade única de estar dentro das pistas e escutar pais, pilotos, mecânicos, fábricas, organizadores … Enfim, estou no automobilismo desde os 15 anos, ou seja, mais de 25 anos, e neste período tive oportunidade de estar nos mais diversos setores, escutando todos os lados e discutindo efetivamente assuntos relacionados ao automobilismo!

SPERAFICO – Iniciei minha vida no esporte a motor em 1975, correndo pela primeira vez em Cascavel, no Paraná. Até 1979 corri de motovelocidade. A partir de 1980, participei de algumas provas de Motocross e comecei a correr de Kart nos campeonatos paranaense e paulista, entre 1980 e 1982. Em 1982 comecei no automobilismo correndo de Divisão 3, onde fui campeão paranaense em 1983. No ano seguinte, fui bicampeão paranaense de Divisão 3 (hot-car). Em 1985, migrei para o Campeonato Brasileiro de Fórmula Ford, onde obtive uma vitória no Rio de Janeiro. Foi inesquecível, pois recebi o troféu das mãos do Ayrton Senna. Participei regularmente do campeonato brasileiro até 1987. Em 1988 e 1989, participei das provas do campeonato brasileiro, gaúcho e paranaense de Fórmula Ford. Em 1992 estreei nos campeonatos Brasileiro e Sul-americano de Fórmula 3B, onde, em 1993, sagrei-me campeão brasileiro e sul-americano. De 1994 a 2016, sempre estive ligado ao automobilismo como diretor de prova, comissário desportivo, “manager/coach”; sempre ajudando os pilotos da família em todas as categorias do automobilismo nacional e internacional. Exerci a presidência do Automóvel Clube de Toledo e posteriormente a vice-presidência da Federação Paranaense, antes de me tornar vice-presidente da CBA.

Quais os planos do senhor para o rali?

DADAI – O Rally de velocidade vem crescendo nos últimos dois anos com um grid médio de 25 carros, hoje à CBA já apoia o Rally com a contratação de carreta para transporte dos veículos, assessoria de imprensa, apoio financeiro ao Esporte Interativo para divulgação do Rally. Além de continuar com todo esse apoio, estamos tentando trazer uma etapa do Mundial de Rally como também uma etapa do Sul americano de Cross Country. A proximidade desta comissão com as montadoras deverá trazer bons frutos nos próximos anos!

SPERAFICO – Assim como no kart, o Rally também receberá atenção especial; porém, trata-se de um setor peculiar. A Comissão Nacional de Rally será parceira dos representantes do Rally, que serão ouvidos como nunca foram na CBA e receberá apoio integral do marketing, departamento este que pretendo ativar de forma inédita. Proponho até a criação de uma associação de pilotos, navegadores e promotores do Rally que será o canal de comunicação entre o setor e a CBA. Afinal, como ex-piloto, sei que nenhum esporte prospera sem investimentos. Além disso, tentarei trazer para o Brasil uma etapa do World Rally Championship (WRC), o campeonato mundial de rali da FIA, finalmente, fazendo justiça com um setor importante do automobilismo brasileiro. Já tivemos etapas do BPR, WEC, Superturismo, ITC e WTCC no Brasil, mas nunca uma etapa do WRC. Já está mais do que na hora!.

Quais os planos do senhor para velocidade na terra?

DADAI – O nível técnico das competições de velocidade é altíssimo, os equipamentos utilizados são de ponta, porém, precisamos criar categorias de acesso a custos acessíveis e este trabalho vem sendo implementado pela atual comissão e deverá ter continuidade. Promover uma maior divulgação e integração entre as modalidades existentes hoje, trabalhando numa equivalência de regulamentos estaduais, sem óbvio, deixar as particularidades de cada região. Precisamos estender aos demais estados esta prática esportiva, que hoje está polarizada no sul, sudeste e sudoeste, tendo apenas a Bahia fora deste eixo

SPERAFICO – Talvez seja um dos setores mais carentes e esquecidos. Há Estados fortes que dependem integralmente das competições na terra, como Santa Catarina, por exemplo. Tenho conversado com o pessoal de lá e percebi que os grids emagreceram, perdeu-se a essência dessas corridas. Velocidade na terra é, provavelmente, a mais democrática modalidade, pois pode ser disputada em circuitos fáceis de construir e manter. As Federações assumirão papel fundamental no processo de planejar, promover e supervisionar as categorias; e a CBA trabalhará para apoiá-las, passando a desenvolver papéis muito mais importantes, pois são elas que entendem as necessidades de cada região.

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Você pode conferir a entrevista na íntegra no site Diário Motorsport.