Este ano o Dakar terá um gostinho a mais de superação. E esta superação tem um nome: Philippe Croizon (FRA), que tem os seus quatro membros amputados.

“Quando você sonha, você tem que se apressar,” é o lema do Philippe Croizon que aos 26 anos foi eletrocutado com cerca de 20.000 volts ao tentar remover uma antena de televisão do telhado de uma casa. Após o acidente, médicos tiveram que amputar seus quatro membros – um acidente que ele escapou milagrosamente vivo.

Mas Croizon já é um atleta experiente, em 2010 cruzou a nado o Canal da Mancha, trecho de mar que separa a Grã-Bretanha e a França. Philippe Croizon deixou a cidade inglesa de Folkestone e nadou por 34km com próteses especiais até a cidade de Cap Gris Nez, na costa da França. A equipe que apoiava Croizon esperava que ele completasse a travessia em cerca de 24 horas, e não nas cerca de 13 horas e meia em que ele venceu o percurso.

Croizon irá correr o Dakar com um buggy muito bem equipado para suas condições. Equipado com um joystick híbrido, ele pode dirigir, acelerar e freiar sem contato com o volante ou pedais. “Como em um jogo de vídeo”, disse ele. O desenvolvimento foi realizado em parte nos Estados Unidos. Outras funcionalidades, como limpador de pára-brisas, buzina e até mesmo os faróis, essenciais para especiais noturnas, são operados com um joystick no cotovelo esquerdo.

De fato o Dakar é um rally muito complicado, e há uma necessidade muito grande dos pilotos de sentirem o chão. A partir de um controle hidráulico, um mini-identificador é projetado para identificar as características da estrada, assim o cotovelo de Philippe é colocado através de um elemento de tomada de carbono e ele pode sentir a pista graças à conexão mecânica. Durante os testes, os engenheiros aperfeiçoaram o dispositivo especialmente adaptado para a morfologia de Phillippe e assegurar o conforto de sua condução. Em caso de problemas, o sistema é reversível, uma chave para desligar e o navegador pode então assumir o controle com volante e pedais.

“Eu estava sentado em um banco e eles construíram o carro em torno de mim”, diz o atleta sorrindo e agora piloto, que teve que passar os testes impostos pelo regulamento e conseguiu sair do cockpit em menos de 12 segundos. “O trabalho que estamos tendo pela frente para o Dakar 2017 já é uma verdadeira aventura. Tudo tem que ser perfeito, não há espaço para a improvisação. Tudo deve ser testado.”

O sistema já foi testado em dois ralis anteriores. Desde então, tem sofrido uma série de testes, todos satisfatória. Ele agora está pronto para embarcar no Dakar.

Com uma tripulação experiente com vasta experiência do Dakar, seu navegador Cedric Duple (FRA)  e chefe de equipe, Yves Tartarin, tem mais de 15 participações no Dakar.