Hoje o dia foi bem complicado… Não, não foi apenas o Dakar que vem nos surpreendendo, uma notícia no Rally nacional também pegou todo mundo de “calça curta”, mas falaremos a respeito no próximo post sobre este assunto. Agora quero agradecer ao Jorge “Teta” Wagenfuhr e Idali Bosse – Carro #350 – que fizeram uma participação curta, mas intensa neste Dakar. Hoje, infelizmente eles deixaram a competição, mas não por falta de briga para se manterem na prova, foi porque o Dakar é duro mesmo, e já está fazendo vítimas mesmo com orçamentos 10 vezes maior que a do Jorge e do Idali. O resumo da prova hoje vai ficar por conta mesmo do Youssef, vocês podem conferir logo mais a baixo, mas queria reproduzir aqui, com todas as letras, e com a autorização do Teta (se me permite chamá-lo assim) seu depoimento aos amigos do rally. Confira:

Bom dia amigos.
Estou muito agradecido por todo apoio que vocês nos deram.
Não poderiamos falar com vocês pelo Watts devido aos celulares terem mapas e no Dakar isto é proibido, portanto não levamos no carro.
Tínhamos apena um telefone satélite.
Andamos nas dunas do Nordeste em varios rally’s dos Sertões e RN. Nada comparável com isto daqui. Vocês não acreditam, mas estas dunas são incríveis e nunca vi algo na vida. São consideradas as dunas mais altas do mundo tendo até descidas de mais de 200 metro e vocês não tem noção da inclinação.
A escolha dos pneus por nos foi errada nos dois primeiros dias e tivemos muitos problemas com eles nos dois primeiros dias.
Como aqui é muito quente, no prólogo tivemos um problema de esquentar o motor devido ao sistema de arrefecimento, chegando a entrar em modo de segurança e atolamos por falta momentânea de potência.
Nosso primeiro dia nunca tive tanto medo de ver uma duna, não uma duna normal, uma GIGANTE e não tinha o que fazer, tivemos que descer.
Com o passar das dunas durante estes dias o medo foi passando.
No segundo dia resolvemos o problema do dia anterior colocando mais um radiador na frente do carro.
A adaptação ficou muito boa, o Crica, Kevin e Rafael foram os responsáveis pela melhora deste problema. Agradecemos também o apoio do Pipo, Genoir e Silvio. Aqui não pode ser qualquer coisa. Devemos sempre preparar o carro para que ele passe pelas maiores dificuldades e que tenha condições de terminar a corrida. Aqui não é brincadeira.
No segundo dia. Aí segundo dia…
Afffffff segundo dia… Foi realmente o mais duro e exaustivo dia da minha vida no rally. Vocês não têm noção.
O Idali concorda em gênero, número e grau.
Neste segundo dia, com os pneus errados, conseguimos destalonar não lembro quantos pneus. Vamos dar aulas de como desdestalonar pneus. Acreditamos que destalonamos em torno de 8 pneus e consequentemente atolávamos junto. Conseguíamos arrumar e cavar.
Cavar, cavar, cavar. Nunca cavamos tanto em nossas vidas.
Acredito que devemos ter descarregado mais de duas carretas de areia.
Chegamos à exaustão. Mas olhávamos um para o outro e não desistíamos.
Quando estava cansado o Idali cavava e vice-versa. Olhávamos um para a cara do outro e incrívelmente conseguíamos continuar. Todos os estepes estavam destalonados. Nosso macaco manual quebrou já na primeira. O macaco do carro não elevava o carro. Para destalonar a roda, tínhamos que deixar o carro apoiar no chapai e a roda ficar no ar. Vocês não imaginam.
Cada processo destes levava quase uma hora. Passamos o dia fazendo isso. Dormimos naquele deserto de areia e dunas. Lugar muito bonito. Impressionante. Aonde dormimos a noite tinham uns 10 carros atolados em um funil e passaram a noite tentando sair. Nos não estávamos no funil. Se estivéssemos, estaríamos até hoje. Conseguimos terminar o dia e não fomos desclassificados e largamos no dia seguinte. Chegamos apenas para abastecer, trocar os pneus que não tracionavam na areia.
Largamos para o terceiro dia. O carro estava perfeito, com pneus diferentes do dia anterior, já estávamos acostumados com as dunas. Foi o dia mais prazeiroso para nós. Ultrapassávamos varios carros atolados e nos flutuávamos na areia e dunas.
Caímos em uma duna que terminava em 0 e caímos uns 6 metros. Quebrou o diferencial traseiro. Blocamos o carro e não saiu só com a tração dianteira. Ligamos por satélite e pedimos o diferencial. Conseguimos retirar o diferencial e quando a equipe chegou, trocamos.
NÃO FOMOS DESCLASSIFICADOS.
Informamos a organização que estávamos saindo da prova devido a ajuda externa que obtivemos.
Aqui, TODOS recebem ajuda externa. Dificilmente de outro competidor, apenas se é mochila. Cada um por si e Deus por todos.
Aprendemos muito no mais difícil rally do mundo. Saímos com mais experiência de dunas, mas sempre respeitando, principalmente porque elas estão em constantes mudanças. De um dia para outro, mudam de lugar.
Agradeço a minha esposa e meus filhos que me apoiam a fazer o Rally, ao Crica que abono como um dos melhores mecânicos do Brasil. Ao Kevin da JL que nos surpreendeu pelo seu dinamismo, expertise, amizade, realmente mais um que levaria novamente. Ao Picanha, disposto, forte, trabalhador, acompanha em tudo. Ao Pipo que está sempre disposto a tudo, não tem tempo ruim e chega aonde não acreditávamos. Ao Frango que tem grande experiência em elétrica, alegre e disposto, sempre auxiliando. Ao Gaucho que tem uma disposição incrível em ajudar a todos e muita força de vontade. E principalmente aquele que foi meu braço direito e fica realmente na minha direita, Idali Bosse, navegou muito bem, também abono como um dos Melhores navegadores do Brasil, navegação perfeita e companheiro em todas as horas, deixo aqui meu agradecimento por tudo que passamos juntos.
Agradeço também a JL e que nos fez um motor confiável e passou pelo teste mais difícil que poderia existir.
Agradeço a todos os pilotos, navegadores, mecânicos, outros competidores, organização do Dakar e pessoal de apoio, que de alguma forma nos incentivaram e ajudaram.
Que venha o Rally dos Sertões e próximo Dakar.
Teta.

Agora saibam o que rolou no dia de hoje no Dakar.

Peugeot Tricampeã do Rally Dakar!

Acabou? Não, pelo contrário, só foram os 4 primeiros dias, porém com os problemas desta terça-feira nas Toyotas dos pilotos Nasser e De Villiers, três duplas da Peugeot abriram uma vantagem significativa, mais de 58 minutos, o que as colocam em uma posição muito favorável. Como dizer que a dupla Peterhansel e Jean Paul não é favoritíssima para a conquista? Normalmente a esta altura do rali, eles estariam uns 10 minutos atrás dos líderes, esperando o momento certo de brigar pelo título, sabe qual a posição deles? Isso mesmo, líderes, com mais de 6 minutos de vantagem para os companheiros de equipe Loeb e Elena. Em terceiro, vem Sainz e Lucas, com 13 minutos para os líderes. Nasser e Mathieu, foi a única dupla que conseguiu andar no ritmo dos Peugeots, porém com o enorme prejuízo desta terça-feira, não consigo mais vê-los na briga – mas, a dupla ainda vai dar show, ganhar Especial e provavelmente voltar a ter problemas mecânicos.

Está virando rotina eu falar aqui sobre a Mini, mas confesso estar impressionado com o péssimo ano da equipe X-Raid no Dakar. Na segunda-feira, NaniRoma teve um apagão após o impacto do carro ao descer um degrau de duna, continuou acelerando inconsciente e o navegador em ato de desespero puxou o freio de mão fazendo o carro capotar. Mesmo recuperando o carro, os problemas físicos de Nani, tiraram a dupla do rali. Nesta terça-feira, foi a vez do argentino Terranova aprontar uma das suas e capotar. Por incrível que pareça, a Mini não tem nenhum carro entre os 8 melhores no acumulado! Desenvolver dois modelos de forma simultânea vem custando caro à equipe alemã, embora os maiores culpados pelo mal desempenho, sem dúvida, foram os erros das suas duplas, tornando uma das equipes favoritas, mera coadjuvante.

Enquanto isso, os brasileiros começaram esta terça-feira com um veículo a menos, Jorge e Idali após uma quebra no diferencial traseiro de sua Triton, logo no início da Especial, acabaram saindo da prova. Marcelo Medeiros, de quadri, terminou o dia na 13ª posição e está em 12º no acumulado, mais de 3 horas atrás da ponta. Varela e Gustavo, com um UTV Can-Am, enfrentaram problemas na segunda-feira no trecho final da Especial e tiveram um longo prejuízo em relação aos líderes. Nesta terça-feira em compensação, a dupla vem liderando todas as parciais e nesse momento da prova já tem a distância para os líderes do acumulado reduzida para pouco mais de 1 hora e 40 minutos. Em uma categoria onde os veículos ainda apresentam muitos problemas mecânicos, os brasileiros mostram que andando são os mais rápidos, precisam agora conseguir alguns dias bons em sequência para voltarem ao topo da classificação! Enquanto isso, Sawaia e Marcelo seguem se mantendo dentro de seus objetivos, terminar cada dia e se manterem na prova.

Esta quarta-feira será o último dia no deserto do Atacama, mais areia e mais dunas, na despedida de um dos mais difíceis inícios de Rally Dakar da história.

Youssef Haddad
Spinelli Racing

.

.

Próxima etapa
10/1/2018 – 5ª etapa

San Juan de Marcona / Arequipa (Peru)
eslocamento: 665 km
Especial (trecho cronometrado): 267 km
Total do dia: 932 km

Conheça mais sobre a Spinelli Racing Experience, empresa de desenvolvimento automobilismo e automotivo de Guiga Spinellie Youssef Haddad.
Acesse a página oficial no Facebook: https://www.facebook.com/pg/spinelliracing