Confira a entrevista exclusiva que fizemos com Rogério Almeida, diretor de prova da Copa Troller,  do Campeonato Cearense de Rally de Regularidade, organizador do Rally do Batom no nordeste e também competidor, vencedor 2 vezes do Rally dos Sertões, uma delas na geral, em 2005, campeão Brasileiro de Rally Cross Country em 2012 na Super Production, campeão da Mitsubishi CUP em 2013 na TR4, tricampeão do Rally Cerapio/Piocera, tetracampeão do Cearence de Regularidade, vencedor do prêmio Capacete de Ouro da CBA como melhor navegador de Rally Cross Country em 2005 e muitos outros títulos e rallys organizados.

 

Tulipa Rally: Rogério, qual seu balanço da temporada da Copa Troller em 2016?

Rogério Almeida: Quem gosta de rally adora um desafio. Eu digo sempre que faço rally desde os 3 anos de idade quando minha mãe dizia: Menino, rali ali na casa da sua tia, rali ali no supermercado, e isto fez o rally entrar no meu sangue… O balanço é muito positivo. Digamos que muito desafiador. Sair de uma região onde tínhamos um histórico de anos e partir para uma região nova, mas me senti abraçado e acolhido pelos competidores desde o primeiro momento, e isso fortalece muito a gente e nos dá forças para superar estes desafios. Muitos destas pessoas eu já conhecia da minha longa jornada de rally, já são mais de 20 anos no esporte, muitos amigos eu já conhecia desta caminhada, mas fiz muitos novos amigos nesta temporada.

 

TR: Ouvir os competidores é a chave do sucesso?

RA: O trabalho que nós fazemos não é para satisfazer a direção de prova, mas para garantir a satisfação dos competidores, então, o caminho mais próximo para atingirmos este propósito é ouví-los. Seja crítica ou elogio, sempre levamos em consideração tudo o que cada competidor comenta para qualquer um da equipe. Fica aqui meu agradecimento a todos os competidores que contribuiu com uma conversa, com suas críticas e sugestões para chegarmos onde chegamos. Lógico, ouvir apenas não garante o sucesso, tem todo um trabalho árduo por trás disso, por isso fica meus agradecimentos também ao diretor adjunto, Milton Merizio, que topou todos os desafios junto comigo e sempre me lembrando das críticas e sugestões que ouvimos durante as etapas. Fico muito feliz que esta característica minha foi muito bem recebida pelos competidores.

 

TR: E sobre a diminuição do grid no segundo semestre?

RA: Crise econômica é um grande responsável ainda, muita gente tira o pé e aperta o orçamento por uma incerteza que paira no ar. Na maioria dos campeonatos onde antes as vagas se esgotavam em minutos após a abertura das inscrições, hoje sobram vagas. Tem também o um processo normal dentro dos campeonatos, onde os competidores deixam de participar das provas no final do ano, uns por não quererem ascensão, outros por não terem chances de vencer. É uma queda natural no grid e este ano não foi diferente dos anos anteriores.

 

TR: Quais as considerações finais da temporada?

RA: Sou muito privilegiado pelo trabalho que viemos fazendo este ano por ter uma grande equipe por trás. Tenho muito a agradecer a todos, em especial ao Milton Led, que foi meu companheiro nesses quase 16mil km percorridos para fazermos as 5 etapas da Copa Troller, sempre disposto, topando qualquer desafio, os que deram pouco ou mesmo os que deram muito trabalho para realizarmos, isto fez muita diferença. Agradecer a todos que contribuíram direta e indiretamente, aos competidores com suas críticas  e conversar e também ao trabalho, como o de vocês, de imprensa, que contribui muito com o sucesso do esporte. Também tenho que lembrar e agradecer muito outros amigos organizadores de prova, Lourival Roldan, Deco Muniz, ao Jeep Clube de Curitiba na figura do Vini e do Bronze, que nos ajudaram muito de forma efetiva durante toda a temporada.

 

TR: Existe uma diferença entre montar uma prova no Nordeste e o Sudeste?

RA: O aproveitamento do terreno. No nordeste num raio de 30km você tem uma diversidade muito maior de tipos de terrenos, desde areia, praias, serras, montanhas, encontramos também muita plantação de cana. As referências no nordeste são mais curtas também, e no sudeste em geral as medidas são pouco mais longas, mas ainda sim com muita dinâmica nas provas realizadas nesta região.

 

TR: E quais suas expectativas para 2017?

RA: Costumo dizer que sofro muito de TPR (Tensão Pré Rally) e ao longo dos anos eu tento reduzir a tensão criando o mínimo de expectativas possível. Mas na verdade espero que a gente continue com o trabalho que fizemos este ano além de continuar com o campeonato Cearence que organizo há 10 anos e outro projetos de rally na região que estamos trabalhando, como o Rally do Esquenta e outro projeto que pretendemos unir os competidores do Norte e Nordeste.