Quer conhecer outra visão da prova da Mit em São José do Rio Preto?
Nosso amigo Edu conta como foi a prova pra ele, que teve um gostinho especial, confiram o post para descobrir!

 

Por Eduardo Pereira e Costa

Estava tudo perfeitamente planejado!!
E logo de cara o plano foi perfeitamente por água abaixo. ..
Para quem é de SP, SJRP não é lá um lugar perto, são quase 450 Kms de estrada fora o transito caótico da Marginal até chegar na Rod. Bandeirantes, meu plano (aquele tal…) era ter saído as 17hrs no máximo, mas como toda 6ª f é dia de explodir problemas no trabalho, esta não poderia ser diferente, conclusão, sai de Santana as 18h30, pensando no Briefing das 19h, bom, melhor deixar essa parte para lá…
O Glauber já havia saído com a Sandra e a Minae no carro delas, e eu fiquei com a missão de levar o carro que iríamos correr. O piloto foi de Zequinha e o navega de piloto.
Pé na estrada.
Viagem tranquila, apenas uma parada pro lachinho porque ninguém é de ferro, e chegada à SJRP pouco depois da meia noite. Depois de 5hrs de sono (cá entre nós que esporte mais besta esse que faz a gente acordar de madrugada…), fui abastecer e calibrar os pneus, poderia ter feito isso a noite quando cheguei, mas o ideal é sempre fazer a calibragem com os pneus frios, fica a dica.
Tudo pronto, café tomado, saímos para o local da largada. Aí começa a correria: Aferir, adesivar, vistoriar, montar o equipamento, ajustar o EVO, carregar trechos, pegar planilha, e depois aproveitar os parcos 30 minutos para passar a planilha que, diga-se de passagem, era quase uma Bíblia, 88 páginas!!! Não preciso nem dizer que baixou o espírito do “The Flash” e terminei a página 57 na rampa de largada quando encostamos no Lourival. Bazinga!
Como não fui ao Briefing, só consegui perguntar: “Lourival, até onde não tem PC”? – “Até o KM 3,05”. Para quem está começando, fica outra dica, mesmo com a aferição no asfalto o organizador sempre coloca uma aferição em 4X4 logo no primeiro trecho de prova, e deixa esse trecho sem PCs, assim você pode chegar ao inicio do trecho navegado, sair mesmo antes do seu tempo, fazer toda a aferição em 4×4 e parar ao final do trecho sem PCs para encaixar seu tempo, sem preocupação, mas com atenção, porque você tem que saber até onde não tem PC. Isso é sempre informado no briefing.
Fizemos o afer no 4X4 e ficamos esperando o nosso tempo.

Foto: Ricardo Leizer.

Foto: Ricardo Leizer.

Começamos a prova e tudo correndo bem, os dois bem concentrados. Minha aferição não estava lá essas coisas, porque o p*** do “W” , não estava colaborando, mas fui acertando conforme a prova foi passando. Chegamos no trecho dos balaios (ou laços), e aí sim começou a diversão; primeiro foi o tal do “candelabro” . Em minha opinião uma das coisas que o navega tem que fazer é passar a informação para o piloto da forma mais enxuta possível, passar apenas o essencial, por exemplo, não adianta muito você falar:
– “lá no poste com Trafo, com 3 fios, uma fitinha amarela e uma coruja em cima você vai reto”!
É muuuuuuuita informação para pouca ação, se você disser “reto, mantendo a velocidade” ele vai entender. Vc deve usar tudo para sua própria referência, mas não precisa falar tudo.
Mas e quando a Tulipa é muito “engruvinhada”? Che facciamo? Sempre penso:
“- puts!, como eu digo isso???”
O tal candelabro foi uma dessas, na primeira passada eu só apontei para onde tínhamos que ir, “por alí à esquerda”, na 2ª já estava mais esperto: “-por alí à direita atrás da cerca”! Nessa eu levei um pentelhonésimo de segundo a mais para achar a rua, mas entramos certo.
Nessa prova tentamos uma navegação diferente cantando a regressiva ao estilo do cross country, ao invés da referência, ou seja, ao invés de cantar “- no 3,47 direita a 32km/h” eu cantava “- em 200 a direita a 32, em 150, em 100, em 50 direita a 32”. Como tanto o Glauber como eu já estamos acostumados a andar assim acho que deu mais certo. O navega acaba trabalhando mais dessa forma, pois tem que estar sempre fazendo a contagem da regressiva, mas isso me ajuda a manter a concentração. Quando o piloto tem o kit piloto completo ele já tem a regressiva, mas mesmo assim é muita coisa para o cara olhar.
E continuamos na tocada, chegamos no tal balaio problemático, logo de cara lá no meio, demos de encontro com o carro 54 (Sandra e Minae), pensei, “deve ser um lação e elas estão dando a segunda passada” mas tinha que ser “o laço” porque elas deveriam estar 4 minutos na nossa frente, nos éramos o carro 58. Demos a primeira volta perfeitinha, mas quase saímos errado da 2ª, lembro que a tulipa seguinte era em 10m e era um Y pra esquerda, mas não estávamos num Y, estávamos em um asterisco!!! Mas consegui ver o tal do Y ao meu lado, demos uma rézinha e fomos para lá. Tudo certo, as próximas referências bateram (uuuuufa!!!), e perdemos apenas alguns segundos.
Depois de alguns minutos o Glauber me avisa “-Puts, as meninas estão aí atrás!”.
Eita, elas deveriam estar 4 min na nossa frente, o que estavam fazendo atrás da gente?? Como o amor (e o medo…) é grande, ele encostou e elas passaram raspando e voando! Raspando literalmente porque até bateram espelho contra espelho. Estávamos saindo quando o Glauber olhou e viu a capa do espelho retrovisor delas no chão, aí ele parou, voltou de ré, soltou o cinto de 4 pontos e me disse “-desculpa meu, mas vou pegar o espelho, essa p**** custa uns 3 paus !!!” desceu correndo, pegou a capa do espelho, jogou no carro, se jogou pra dentro e saiu andando e prendendo o cinto. Era um cinto de 4 pontos que algum cabeçudinho (rs) havia montado de ponta cabeça. Saímos voando pra tirar o tempo, ele dirigindo e apanhando do cinto, em poucos segundos chegamos em uma descida com uma curva de 90 graus à direita e enlameada, do jeito que estávamos ele pisou no freio: a frente desceu, o carro entrou no trecho liso e a velocidade…. continuou a mesma !!! Os dois falaram ao mesmo tempo “- não vai dar!!” aí baixou o espírito Cross Country ele aliviou o freio, puxou pra direita e deu motor.. o carro saiu de traseira, entrou no trilho e fizemos a curva… “-carai! essa foi por pouco!”.

Lá no meio fizemos outra dessas e na saída eu me empolguei e quase gritei “vai!! desce o pé !!!!” mas o EVO começou a apitar e me trouxe de volta pra Terra.
Em outro ponto havia o “neutro da fita” (o Daniel Manse conhece bem o lugar…), você passava a primeira vez ao lado da fita e na segunda parava do outro lado num neutro de alguns minutos. Começamos a conversar e rolou um diálogo interessante, perguntei:
– Oww, abaixo de 10 km/h não tem PC ne?
– Não! É abaixo de 15!
– Certeza?? Normalmente é abaixo de 10…
– Acho que falaram 15 ontem no briefing…. Ah, vamos perguntar ai pro Clayton (que estava parado de apoio nesse ponto)
– Clayton, sem PC é abaixo de 10 ou de 15???
– sei lá pow, vcs não foram no briefing? rsrsrs
– Bom, melhor ficar esperto e assumir que é a abaixo de 10.
Chegamos ao neutrão, nem saí do carro, recomecei a passar as páginas finais da planilha e terminei quando estávamos saindo do posto. Depois do neutrão sai do carro e perguntei para a Pri sobre a velocidade sem PC e ela respondeu: abaixo de 15! Logo em seguida encontrei a Minae e perguntei a mesma coisa: “Acho que é 18!!”
Bom, vamos segurar nos 10 mesmo…
A 2ª parte foi mais tranquila, menos balaios alguma lama, as médias estavam bacanas e o Evo vinha relativamente silencioso.
No rally, além de tudo você também precisa ter sorte e usar algumas manhas.
Em dado momento nós saíamos de uma fazenda, havia um neutro de alguns segundos e entrávamos a direita na principal. Estávamos parados no N quando vimos um caminhão amarelo vindo da nossa esquerda, faltavam 18 segundos, ele ia justamente pra onde tínhamos que ir, (15 segundos), o cara iria nos atrapalhar e o Glauber não teve dúvidas, (11 segundos), abriu a janela e fez sinal pro caminhão parar, e ele….parou !!! (9 segundos), aí ficamos os 2 parados, o cara nos olhando com cara de interrogação, o Glauber olhando pro cara e eu contando “8, 7, 6, 5, 4, 3, 2.. vai vai !!!” Saímos e o caminhão ficou lá parado tentando entender. Quando já estávamos a uns 150m deve ter caído a ficha e ele recomeçou a andar, mas já havíamos passado. Também pegamos o trator rebocando o treminhão, eles estavam fechando a pista, mas jogamos o carro pelo mato e passamos sem perder tempo, logo atrás estava a ponte onde ele deixou o Léo e a Pri esperando. Em outro ponto vínhamos na média e vimos um trator andando uns 100m a nossa frente, pensei comigo “- esse cara vai nos ferrar”, mas como a sorte estava grande, quando chegamos a uns 20m dele, apareceu uma clareira, o cara encostou o trator do lado e passamos sem alterar a velocidade!!
É, sorte também conta!!
Terminamos a prova e voltamos para o almoço. Aí começou minha agonia…

mit (86)
Eu tinha um compromisso em SP e deveria estar de volta às 20h no máximo. O plano (é, aquele mesmo….) era chegar, almoçar e sair. Durante o almoço saíram as parciais. Puts, até que não fomos tão mal. Aì lascou porque fiquei na dúvida: saio ou fico??? Pow, será que deu pódio? Fico ou não fico?… Não! tenho compromisso, preciso ir embora!
Comecei a me despedir da turma quando o Alex e o Cesinha comentaram: “meu, vocês estão bem, não vi ninguém com pontuação menor que a de vocês!”.
Caaaaraaaaai!! Mas eu tenho que ir. Vou lá pra fora ajeitar as coisas no carro, tudo pronto, estava voltando pra deixar a chave quando o Solano começou a fazer a premiação. Puts, agora tenho que ficar!! Premiação da Graduados, filminho, premiação da graduados mista, mais filminho, e a hora passando… Finalmente a Turismo!! Lourival chama do 15 ao 6o…. Opa!!! Nada da gente por enquanto. 4o!! não. 3o, não!!! Estamos entre os dois.. 2o… Naaaaaaaaaaaaoo!!!!! Ganhamooooooooos!!!!! Meu primeiro troféu na MMS !!!!
Shoooooooooooow!!! Bonezinho com o nº 1 e champagne !!!  Foto lá em cima!!!


Sensacional!! foi uma belíssimo sábado! divertido, reencontrando os amigos, fazendo o que gosto e ganhando a prova!! Puuuuuuuuuuts!! Quer mais o que??
Ao final cheguei em SP as 22:30h… Perdi meu compromisso, mas trouxe o troféu!!!!
Como eu disse no Face, agora tenho 2 dos bonés mais desejados do Rally nacional, o Fofoné, da Fofo Sports e agora o de campeão da MMS!!! Agora falta o da Cup !!!

Próximo desafio: Rally Cuesta, cross country, dias 11 e 12 de junho em Botucatu. La é pé embaixo!!! Depois eu conto como foi.

Edu