Jéssica Hajjar é daquelas mulheres que todo amante do automobilismo tem que respeitar e tirar o chapéu. Natural de Goiânia, Jéssica encontrou em São Paulo sua morada paixões, o automobilismo. Além de praticante de Kart, hoje ela ajuda no trabalho da ABPA, Associação Brasileira de Pilotos de Automobilismo e assessorando equipes de automobilismo, como é o caso dos brasileiros Sylvio de Barros e Rafael Capoani, que estão fazendo um belo trabalho nesta edição do Rally Dakar.

Acompanhe um pouco de nossa conversa com a Jéssica.

Tulipa Rally: Qual seu papel na equipe?

Jéssica Hajjar: Um piloto profissional de automobilismo, geralmente desempenha uma profissão paralela, como empresário e geralmente não tem disponibilidade de tempo para organizar todo o processo que envolve um campeonato. Trabalho diretamente com o bem estar do piloto, ou seja providencio tudo para que o piloto tenha o índice máximo de concentração para desempenhar uma boa corrida, ou seja esteja isento de preocupação.  Faço todo o trabalho de bastidores para que a única preocupação que ele tenha seja apenas pilotar, ou seja providencio para que esteja tudo, cronologicamente organizado dentro da agenda que o piloto deverá cumprir. É de minha inteira responsabilidade desde passagens, hospedagens, equipamentos, alimentação, funcionamento do box e assessorar a equipe como um todo.

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TR: Essa é sua primeira participação no Dakar, mas você esteve junto com o Sylvio e Capoani desde quando e em quais competições?

JH: Com o Sylvio de Barros fizemos duas etapas do Rally dos Sertões 2015 e 2016, onde ele corria pela Mitsubishi e agora estamos pela primeira vez no Rally Dakar 2016 como piloto convidado e esperamos desempenhar uma boa prova. Já assessorei o Sylvio em outras provas como Porsche Cup e Lancer Cup. Já com o Capoani, ele esteve na última etapa do Rally dos Sertões e agora no Dakar.

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TR: Você que ama o automobilismo, qual a sensação de estar no maior Rally do mundo?

JH: Chegar ao Rally Dakar aos 26 anos é um grande mérito para mim. Na verdade estou realizando um grande sonho, pois é o maior rally do mundo. A primeira edição do Dakar foi em 1979, bem antes do meu nascimento. É  muita adrenalina e superação poder participar da 5a. edição somente aqui na América do Sul.

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TR: Qual a grande diferença entre o Dakar é um Sertões na sua opinião?

JH: Correr o Rally Dakar é chegar ao ápice. Uma prova muito técnica, extremamente longa, onde não basta ser piloto. Ele deve ter muito preparo físico e alta performance, pois enfrenta altas altitudes, diversidade de clima e condições extremas de solo,  demandando resistência e alto nível de concentração. Podemos dizer que correr o Sertões é apenas o início de um aprendizado, uma etapa a ser cumprida antes de se chegar ao Dakar. Não podemos comparar, pois cada um tem a sua complexidade e um nível diferente de dificuldade. Posso dizer que o Rally Dakar é a Fórmula 1 do Rally.

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TR: E a grande dificuldade que você está sentindo ou prevendo durante os dias de Dakar?

JH: A grande dificuldade que detectei foi que os pilotos enfrentarão muitos desafios físicos e psicológicos, o que dificultará muito a performance de pilotagem de cada um. Em 2017, o Rally Dakar conta com um percurso de mais de 6 dias onde os pilotos enfrentarão uma altitude acima de 3.000m acima do nível do mar, com isso muita fadiga, desidratação e falta de ar. Enfrentarão muitas dunas onde requerem muita técnica de pilotagem e grande experiência do Navegador com as mudanças bruscas de direção.

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TR: Respeito. Pessoal respeita a sua figura de mulher, tanto o piloto e navegador, a equipe de vocês, outros competidores e equipes também?

JH: Como mulher e jovem no meio de um público extremamente masculino tenho a dizer que somos todos profissionais. Como em toda prática esportiva, tem que haver respeito e consideração e desde que estou aqui a única coisa que posso dizer é que fiz muitas e grandes amizades. Trabalhar em parceria é assim, sabemos  que a qualquer momento precisaremos um do outro e estamos sempre em prontidão, aptos a ajudar.