Abrindo a temporada 2016 dos rallys da Mitsubishi, a primeira etapa foi no Veiga…

Não, pera ai, não era em Joinville? Sim, é em Joinville, mas se tiver um rally por lá e não for no Veiga, não é rally.

Para quem não conhece, Veiga é um senhor apaixonado pelo esporte e proprietário de uma grande área próximo da cidade de Joinville, local onde sempre encontramos: balaiossss… muitos balaios. “Dramin”, se prepare que vou lhe usar!!!

Mesmo com tudo a favor para ser o melhor rally do ano da Mitsubishi, nós, eu e a Priscilla, não iríamos… :´(  Tínhamos muitos rallys em nossa programação do ano e o “tempo” ficou escasso. Mas como a esperança é a última que morre, eis que recebo uma ligação de “Uma Japa Muuuito Louca” (parece nome de filme né?).

(JML) – Alô!
(LÉO) – Oi Minaeeeee (a Japa muito loca), tudo bem?
(JML) – Tudo, mas você vai ter que me ajudar…

Ih, lá vem… continuando…

(JML) – Você não vai no rally da Mit né?
(LÉO) – Bem que eu queria, mas não 🙁
(JML) – Então vai sim!
(LÉO) – Conta mais…
(JML) – O Pateta (Glauber Fontoura pra quem não sabe) tem um amigo que quer correr pela primeira vez e você vai navegar pra ele e a Pri navegar pro Glauber!!!

Ah, não preciso dizer que topei na hora né? Mesmo não pilotando, eu adoro navegar também. Fiquei só com o pé atrás se o Robson (amigo do Glauber) iria aguentar seu primeiro rally, na Turismo e ainda por cima, no VEIGA!!! Descobri que ele estava mais empolgado do que eu.

Bem, a semana passou rápido e bora lá pro rally. No caminho fui junto com o Robson e sua TR4 valente, explicando o que é uma Tulipa, pra que lado era a direita (isto quem não sabe sou eu, ta?) e que o outro lado é a outra direita, aproveitei e instalei o Totem Evo no carro dele para já ir se acostumando com o que será mostrado na sua frente e o quão irritante é o PI PI PI do equipamento. E um conselho… faça o que eu mando e nunca, nunca siga o carro da frente! (melhor conselho da vida no rally, VIU ALEX???)

Chegamos em Joinville por volta das 15h, uma passada rápida no hotel e vamos pra secretaria de prova adesivar os carros. Tudo pronto, é hora do Briefing.

Briefing é muito importante e uma coisa que deveria mudar no rally da Mit (crítica construtiva). O recado durante o briefing foi apenas um: vocês ficarão tontos de tanto dar volta e virar o carro. E aí, enquanto todo mundo saia do local do briefing, eu escutei algo sobre “pode fazer a aferição na terra que não tem PC” (guarde esta frase na memória). A crítica sobre o briefing é que ele é muito raso, só é mostrado onde andaremos, tempo de prova e só, não é mostrado locais complicados de se passar, descida lisa, buraco fundo, neste ponto o Paulista Off Road se supera, e a Copa Troller também (vamos ver como ficará agora que mudaram o diretor de prova né…). Bem, eu sinto falta disto, mas é só uma opinião pessoal mesmo.

Outro ponto que foi muuuito complicado foi na hora de baixar a planilha eletrônica. É disponibilizado um WiFi sem internet para as pessoas se conectarem nesta rede e baixarem os arquivos em seus tablets e celulares, mas como todo mundo foi de uma vez, estava impossível disto acontecer. Levei exatos 40 minutos para conseguir baixar o arquivo. Precisa melhorar isso ai heim??? Sugestão é disponibilizar o arquivo na internet, e a gente baixar de lá.

Tudo certo, carro aferido (na estrada), é hora de não dormir. É, não tem jeito, dormir é para poucos mesmo, e não estou nesta leva. Sol na cara, hora de levantar e tomar café, café amargo foi este :(. Uma notícia ruim acabou fazendo a Minae voltar para São Paulo, uma pena. Aí rolou uma dança das cadeiras… Sandra Dias pilota, Priscilla Argentin navega e Pateta zequinha!!!! huahauha é a cara dele ser zequinha… hauhauhuahua. Ta, mas a idade chegou para o Glauber e uma dor nas costas o tirou da prova também e acabou ficando de molho no hotel enquanto a gente se divertia.

Alinhamos os carros e o nervosismo veio à flor da pele, não queria fazer feio para o Robson, mas ele estava super ZEN… tranquiiiiilo, nem parecia que iria fazer seu primeiro rally. Ligamos o EVO e utilizamos o Rabbit para nos ajudar na navegação, e fomos buscar a planilha. Planilha… hummm… 1.180 Tulipas distribuídas em umas 110 páginas divididas em 3 partes. Quem teria tempo de passar página a página da planilha para marcar as pegadinhas? Ninguém né? Sorte nossa que o Rabbit já marca na planilha eletrônica todos os pontos com menos de 200 metros para chamar a atenção, além de diversas outras marcações. Facilita muito e é automático isto, ou seja, como já tinha baixado a planilha eletrônica, nem me preocupei com isto, então, vamos pro carro aguardar nossa vez.

O Robson continuava lá, tranquiiiiilo, o que é muito bom. Chegou nossa vez, subimos na rampa, trocamos umas ideias com Lourival Roldan, nosso mestre e diretor de prova, e largamos.

Chegando no trecho navegado da planilha, todos os carros estavam parados, e ninguém foi aferir. Não perdi tempo, ultrapassei todo mundo e fui fazer a aferição de acordo mesmo, traçado e reduzido, como manda o figurino, mas lembra da frase que disse lá no começo? Fui até o primeiro AFER e segui para o segundo para conferir e terminar de aferir, já que o primeiro estava em 900 metros e o segundo em 1800, mas erro meu, por mais que tenha ouvido que poderia fazer a aferição na terra, só poderia ter feito os primeiros 900 metros :(, entre as duas aferições tinha um PC e tomamos 5 minutos de adianto.

Aguardamos os carros passarem pela gente e acelera Robson!!!… 30km/h… ele até estranhou a velocidade, mas expliquei que o rally é de regularidade, então o desafio é manter a velocidade constante, o que é muito mais difícil do que acelerar até quanto puder. E fomos no ritmo da planilha. Algumas poucas curvas, um dobra aqui, um dobra ali, aumenta a velocidade, agora diminui um pouco, e o Robson foi pegando o jeito. Ele estava gostando, a primeira parte da prova foi inteira em linha, o que pra gente foi ótimo, ele pode sentir o carro na terra e como seria manter as velocidades que eu cantava durante a prova. Eu que não estava me dando muito bem com o EVO e o Rabbit juntos. Como o EVO arredonda o valor quando eu incremento um metro, o Rabbit soma 1 metro inteiro, e isto começou a dar muita diferença entre os dois, o que me atrapalhou muito. Depois de menos de 1 hora de prova, um contratempo. Um morador da região acabou fechando a estrada, o que obrigou todo mundo a parar e fazer uma relargada 40 minutos depois. Andamos mais um tempão e chegamos no primeiro neutro de 30 minutos em um posto de combustível… ainda bem, já que nosso tanque foi pela metade só nesta primeira parte da prova. Pausa pro banheiro, tomar alguma coisa e voltar pro carro para ligar o Rabbit Piloto e desligar o EVO, assim a gente seguiria com um único equipamento, o que deixaria a navegação mais simples e ainda bem que o fiz.

Segunda parte da prova já começaria no VEIGA, a poucos metros do lugar do neutro. Chegamos numa rua e entraríamos em um terreno, que o muro não deixava ver o que estava acontecendo lá dentro, mas quando entramos no lugar…. UHUUUUUUU!!!! os carros da prova já entravam num balaio GIGANTEEEEE e o Robson já gritou… AGORA COMEÇOU O RALLY DE VERDADE! Meu, e a primeira impressão é a que fica, bem na nossa frente os carros já faziam uma volta num lugar e passavam a milhão de lado na nossa frente, e logo 10 segundos depois era nossa vez de sair acelerando atrás dele. Começou a melhor parte do rally. Foi incrível. Foi tenso. Foi arrepiante. Foi tonteante. Falei pro Robson esquecer o tempo e acertar o caminho. Enquanto ele acelerava o que ele podia, não dava tempo de olhar pra frente, ficava de olho na planilha eletrônica só dando a direção. DIREITAAAA…. ESQUERDA EM 15… DIREITA NO FINAL EM 20… COTOVELO A ESQUERDA… BIFURCAÇÃO PELA DIREITA… sabe aquele tal do CRÉU velocidade 5? É, foi isto que aconteceu… Era tanta direita, esquerda em 17, 25, 50 metros a uma velocidade perfeita para andarmos naquele terreno e até mesmo não atrasar na prova.

Meu, senhor Lourival Roldan se superou!!! Ele até tinha contado no briefing que quando o Detlef viu o desenho do rastro do GPS dos balaios ele comentou: – O que você cheirou para fazer isso ai??? E foi bem isso!!! Foi incrível. A melhor balaiada que fiz até hoje num rally. O Terreno do Veiga faz jus a fama. Em alguns lugares encontramos facões onde o carro pulou muito e dependendo de como vc chegasse nele, seria até perigoso, mas entrando com cautela, nada demais aconteceria, e a maior parte do trajeto era ótimo para acelerar, fazer curvas. E as medidas da planilha então, foram um show à parte. Estes balaios, como o Lourival havia comentado no briefing, foram medidos conforme o piloto deveria andar nas trilhas mesmo e a cada curva, a cada virada, o odômetro batia no metro, deu muito pouco trabalho para os navegadores acertarem seus odômetros… a não ser os perdidos. E como tinha gente perdida. Perdemos muito tempo só por causa dos carros perdidos. A gente acertava tudo, mas de repente encontrava alguém no contra, ou parado tentando descobrir onde estavam. Foi até engraçado. Mas terminando a segunda prova, a graça acabou e foi tomada por um sentimento de culpa em mim e no Robson. Logo depois o Robson me perguntou: – Falta muito pra acabar a prova? E eu respondi: – Não sei, por quê? Ele responde apreensivo: – TA ACABANDO O COMBUSTÍVEL!!!!

PQP… passamos pelo neutro e não abastecemos o carro… Como iríamos fazer a terceira prova? Tinha mais de 1 hora ainda. Bem, seja o que Deus quiser. Avisei o carro de trás que qualquer coisa a gente tiraria o carro da prova para não atrapalhar, mas que iríamos tentar. Desligamos o ar-condicionado e toca para mais uma etapa de virar os olhos!

Terceira etapa foi tão boa quanto a segunda. Balaio que não acabava mais, mas infelizmente tivemos um pequeno problema no meio do caminho e no último trecho a gente entrou no balaio com 4 minutos de atraso. Pena mesmo, porque fizemos a prova inteira sem errar uma entrada, sem perder um PC, e ainda saímos na última parte com os mesmos 4 minutos que entramos. Creio que se tivéssemos no tempo, faríamos tudo certinho e o nosso resultado seria muito melhor.

O importante mesmo foi a diversão. Os vira pra cá, vira pra lá, dobra a direita, curva a esquerda, aí entramos em outra parte do balaio onde 2 carros que estavam muuuito mais atrasados entraram no mesmo balaio que a gente, e foi uma experiência muito louca. Parecia um Siga o mestre… 3 carros andando a toda a velocidade para tirar o tempo de atraso, em um balaio onde não se andava mais que 50 metros e tinha que dobrar para um lado, muitas vezes menos que 20 metros mesmo. Mas estava nítido que o Robson estava pilotando muuuuito, e estávamos muito mais rápidos que os outros concorrentes. Continuando esta “perseguição” de repente o primeiro carro passa reto onde deveria ir a direita. Opaaaa.. um a menos… continuando, o carro da frente vira a direita onde deveria ir reto. Showww, agora ninguém mais para atrapalhar, vamos recuperar o tempo. Mas já era tarde, prova acabando, e o melhor de tudo, luz de reserva acesa e continuávamos andando…

Ufa, acabou! Mas bem que depois de 6h de prova ainda queríamos mais. Deslocamento final, vamos para o lado oposto, do posto… rsrsrs. Chegamos lá literalmente no cheiro do combustível. Descemos do carro encontramos com a Sandra e a Priscilla, que estavam aguardando no posto pois abandonaram a prova por um problema mecânico. Nesta hora olhei para o Robson e falei pra ele: – E ai, o que achou? E ele me respondeu, tremendo de tanto pilotar sua brava TR4 nos balaios do VEIGA e com os olhos cheios de lágrimas: – Meu, completamos o rally e foi a melhor experiência que tive na vida! Esta foi a melhor resposta que poderia ter.

De volta para a chegada do rally, depois de um belo almoço com os amigos, o menor dos problemas era saber qual foi nossa classificação. A opinião do pessoal foi a mesma que a nossa, como comentou José Guerra, um grande amigo de Uberlândia:

“Estou com labirintite até agora e achei uma das melhores provas que participei. E eu errei pra caramba!”

Esta foi minha sensação, uma das melhores provas que participei e fiquei mais feliz ainda que o Robson também gostou e quer mais. E ainda ficamos em 11º na classificação geral no meio de 40 carros na Turismo, no meio de tantos competidores feras que temos no rally.

Ficou aqui um gostinho que quero mais, e dia 09/04 é a vez da MIT em Mogi-Guaçu. Estamos dentro!!!

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No final do dia o resultado foi:

GRADUADOS
1º Fabio Carvalho / Gustavo Schimidt – Belo Horizonte-MG
2º Acyr Hideki Rodrigues da Silva / Idali Bosse – Corupá-SC
3º Marnes Alexandre Floriani / Cristian Muller – Rio Negrinho-SC
4º Andre Fornari Del Monte / Orestes Bacchetti Junior – Jundiaí-SP
5º Ivan Roberto Laidens / Rafael Augusto Avelar Pinto – Curitiba-PR

TURISMO 
1º Paulo Rochadel Lima / Icaro M.C.A. Macedo Brasilia-DF
2º Mauricio Barkema / Gilberto Marcowicz Junior Castro-PR
3º Marcio Pereira / Marcelo Boratto Rio Bonito-RJ
4º Eduardo Alexandre Kruger / Fabiane Tironi Kruger Jaragua do Sul-SC
5º Gustavo Pereira de Amorim / Debora Rondello Bonatti Sao Bernardo do Campo-SP

LIGHT
1º Reginaldo Rocha Lemos Junior / Evaldo Indig Alves – São Paulo-SP
2º Alexander Augustus Mittelstedt / Artur Petter Mittelstedt – Castro-PR
3º Egas Moniz de Aragao / Gustavo Cavalcanti – Curitiba-PR
4º Edgard Almeida / Daniela Reis – São Paulo-SP
5º Edson Althoff / Rodrigo Althoff – Curitiba-PR

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Confiram aqui o resultado completo

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Confiram em nosso facebook algumas fotos.

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