Descanso… merecido descanso. Este final de semana, de feriado prolongado, resolvemos tirar um descanso e só acompanhar de longe o Rally RN 1500, uma clássica prova de rally Cross Country, além de ficar de olho no WRC que aconteceu na Argentina. Ledo engano que ficaríamos de fora de fazer um rally…

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Acompanhando as notícias dos amigos pelas redes sociais, vimos que o trio Paulo Leite, Sandro Dib e Edson Gazella estavam também curtindo uma praia em Ubatuba… mas desta vez a trabalho. Iria acontecer o 2º Rally Náutico de Ubatuba, uma prova de regularidade para embarcações, que aconteceria em Março mas devido ao mau tempo, foi transferida para este feriado e, por sorte, estávamos por perto e aproveitamos para ir lá conferir e contar para vocês né? Sendo rally, estamos dentro!!!

Uma rápida troca de mensagens com os organizadores do rally, Paulo Leite preparou o terreno para nos receber no evento e aproveitarmos para fazer umas fotos. Chegamos no Iate Clube de Ubatuba, na sexta-feira, perto das 10 horas, quando se iniciaria o Briefing do rally e fomos acompanhar como ele iria funcionar.

Trechos navegados, neutro e até deslocamento, nada muda, cada embarcação leva seu GPS para gravar seu track da prova e a cada segundo perdido, 1 ponto era somado a sua pontuação geral. Mas pera ai? E as referências? Como ficam? Elas são os Waypoints marcados em cada referência na planilha.

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A planilha traz: a distância em milhas náuticas, e as tulipas que são as guinadas (em graus) que podem ser feitas com ajuda de uma bússola ou GPS, a velocidade (marcada em nós), o tempo ideal e as coordenadas do local (waypoints). 

Briefing finalizado, começou a surpresa. Fomos convidados a participar do rally, mas navegando! E o mais legal, num pequeno Iate de quase 60 pés do Victor Riguetti  (cerca de 20 metros de comprimento). Eu nem imaginava o tamanho da brincadeira. Já havia andado numa lanchinha do meu irmão, que foi batizada de Sexta Santa, porque em 5 anos que eles ficaram com a lancha, ela apenas funcionava na sexta-feira santa, por coincidência, o resto do tempo estava quebrada. É sério, caso verídico…

Bem, voltando ao rally, tudo seguiu como manda o figurino: camiseta da prova, pega o gps, planilha e adesivo com o número da embarcação. Vamos para a marina e vimos que havia barcos de todos os tamanhos no rally. Primeiro fomos conhecer a embarcação, e que luxo, ficamos impressionado com o Iate. Ai ai… tem vida mais barata, mas realmente não presta não viu… rsrsrsrs. Logo na sala de estar do barco, uma chopeira da Heineken… pronto, não preciso dizer mais nada né? 2 quartos, sendo uma suíte, realmente o iate é uma casa flutuante, inclusive Victor e sua esposa Cilmara, que moram em São Paulo, descem para Ubatuba de moto e passam o feriado dentro do próprio barco. Além disso, tem o comando de dentro do barco e o comando na parte de cima, e foi de lá que navegamos. Nesta hora conhecemos o Marquinho, marinheiro experiente que ajudaria a gente a conduzir este barco enorme.

Adesivo colocado no barco, GPS da apuração fixado, hora de ir para o GPS do barco para “plotarmos” os waypoints por onde teríamos que passar. E esta foi a nossa dificuldade. Quem está acostumado a navegar por águas brasileiras, como o caso do Victor e do Marquinho, GPS é para uma emergência mesmo, eles navegam na raça. Visual, Bússola e estrelas. Isto mesmo, estrelas. Basta isso para levá-los onde quiserem ir. Mas como faríamos no rally? Bem, bora apertar uns botõezinhos e descobrir como colocar os waypoints no GPS que parecia mais uma televisão… e o mais complicado de tudo, o GPS estava invertido, o que era direita para nós, ele mostrava na esquerda, e vice versa, o que dificultou ainda mais as coisas pra gente. Mas depois de 30 minutos fuçando no brinquedo até que deu certo, conseguimos traçar a rota, pelo menos de metade da prova, e terminaríamos de colocar os waypoints no neutro no meio do rally. Agora é hora de abastecer os pequenos tanques de combustível do barco e ir para a largada, mas como se coloca 300 litros de combustível em poucos minutos do horário da largada? O pessoal deu uma força e usou duas bombas de combustível e até que foi bem rápido. Tudo pronto, navegamos até o primeiro waypoint e ainda bem que o Dib deu uma trégua e nos colocou para largar por último, 3 minutos depois do nosso horário, já que chegamos 2 minutos atrasados, mas tudo certo, partimos para o rally!

Primeira tulipa indicando a velocidade 17 nós em direção  XXXº ao SUL e lá vamos nós!

Aquele iate gigantesco navegando num dia maravilhoso que fazia em Ubatuba que eu até esquecia que estava numa competição, não queria mais nada, mas tínhamos um rally para ganhar, então de olho no GPS, demos um zoon na rota e vimos que não estávamos tão bem em cima do traçado ideal, sorte que tínhamos uma proteção de 200 metros para cada lado para navegar, o que facilitou a vida de todo mundo. Contagem regressiva para chegada do primeiro waypoint e vimos que estávamos bem direitinho, ai que vem a parte mais complicada da navegação: a guinada do barco. Nesta hora percebemos que quanto menor o barco, mais fácil virar e mais difícil manter a velocidade, e quanto maior o barco, mais fácil manter a velocidade e muuuito mais complicado de se virar. Na medida do possível, Victor comandou seu Iate de forma perfeita, mas quando acabávamos passando alguns metros da rota, era muito complicado entendermos no início que tínhamos que ir para o lado oposto do que era mostrado no GPS para andarmos na rota, mas fomos pegando o jeito da coisa e cada vez andando melhor no rally.

Um waypoint atrás do outro e fomos navegando e acompanhando os demais competidores. Uns vinham seguindo o que a gente estava fazendo, outros indo para lados totalmente opostos, como num balaio do rally de regularidade mesmo, mas estávamos lá, mantendo nossa meta e nossa rota. Até chegarmos há dois waypoints do neutro, onde entramos numa baía da Ilha Anchieta, mas isto de GPS mandar a gente pra um lado e a gente indo para o outro, acabamos passando muito longe de um waypoint (onde perdemos um PC) e acabamos indo direto para o neutro. Tudo bem, tínhamos ainda que inserir a rota da segunda metade da prova, então bola pra frente.

Continuamos a navegação, agora com trajetos um pouco mais longos e velocidades maiores, o que trouxe uma dificuldade diferente da primeira parte da prova, manter as médias em trechos de até 7 minutos navegando em mar aberto foi bem mais complicado do que parece. Sorte nossa que o mar estava muito calmo e com pouco vento, se bem que para um barco do tamanho do que estávamos não faria muita diferença, mas isto prejudica a regularidade do trajeto com certeza.

Depois de 2 horas de rally em alto mar, passando por algumas ilhas bem conhecidas da região, estamos de volta ao Saco da Ribeira, onde os barcos ficam ancorados, e tivemos um trecho de deslocamento para entrar na marina e terminar nossa prova.

Fim de rally, hora de entregar o GPS, ser recepcionado por um belo churrasco oferecido pelas marinas organizadoras do evento e lógico que contar um pouco do que vivenciamos durante o dia.

Conversando com nosso “piloto/capitão”, Victor,  ele comenta:

“Foi ótima a brincadeira, muito divertida mesmo. Além de divertida, foi um passeio relaxado, descontraído, mesmo sendo uma competição. A tensão tomou conta do barco na hora que vimos o quanto é complicado navegar com o GPS invertido, mas conseguimos nos entender bem e terminar o rally sem maiores dificuldades. O próximo rally? Com certeza estaremos juntos novamente!”

Em poucos minutos todos os competidores já receberam os boletos com suas pontuações, e como nada muda em relação ao rally de carro, a ansiedade toma conta na hora de somar os pontos perdidos durante a prova. É, perdemos um PC! 600 pontos pra conta, mas no geral fomos muito bem no rally, e acompanhando os demais concorrentes, vimos que outros também acabaram perdendo um ou outro waypoint, o que nos deixou mais animados para subir alguns degraus a mais no pódio 🙂

Antes de conhecermos os vencedores do evento, aproveitamos para bater um papo com Sandro Dib, diretor de prova do rally náutico e saber um pouco mais sobre as grandes diferenças em organizar rallys de regularidade de carros e o nally náutico:

“Acredito que a grande diferença é a construção da rota. Como não temos referências físicas, temos que ficar de olho principalmente no que está debaixo d’água, como bancos de areia, áreas mais rasas, para que o rally ocorra sem nenhum problema. Fora isto, é traçar a rota usando os waypoints do GPS e calcular as velocidades em nós, o que geralmente gira em torno de 15 e 20 nós para uma competição mais emocionante. O tempo também é um fator que pode complicar tudo, como aconteceu em março, o que fez com que transferíssemos o evento para este final de semana, mas hoje o dia foi perfeito, céu limpo e sem vento deixou a prova ainda mais bonita para se navegar.”

Hora da premiação. Os 5 melhores receberam um quadro como troféu, o que foi muito interessante. Nosso resultado? Segundo melhor colocado no 2º Rally Náutico de Ubatuba, com o barco número 2. Sabe o que isso significa? Que perdemos por pouco a primeira colocação, mas acho que valeu demais, o dia foi muito agradável, conhecemos pessoas incríveis, e gostaríamos muito de agradecer ao Victor e a Cilmara que nos receberam muito bem em sua belíssima “casa” e nos proporcionaram uma experiência muito legal.

“Um evento muito legal e gostamos de fazê-lo. Este foi o 2º Rally Náutico que nós (Ubatuba Iate Clube) e a Marina Voga organizamos juntos. O primeiro foi em 2012 e este quatro anos depois, mas se tivéssemos mais incentivo da cidade de Ubatuba, que respira esportes náuticos, com certeza teríamos muito mais vezes.” comenta Jaqueline, representante do Iate Clube de Ubatuba.

Parabéns aos organizadores e pela iniciativa das marinas Ubatuba Iate Clube e Voga Marine pelo evento e esperamos que seja em breve o próximo rally!

 

Resultado final
1º lugar – 665 pontos – Ralph Schimidt Gallas e Ronaldo Sens
2º lugar – 1109 pontos – Victor Jose Ronchetti e Cilmara Rebequi
3º lugar – 3208 pontos – Nelson Provazi
4º lugar – 4034 pontos – Newton Hugolino Michelazzo e Edu Motta
5º lugar – 7880 pontos – Wagner Salaro e Xuxa

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