Confiram mais um pouquinho do Rally Estrada Real, dessa vez junto com o pessoal do Diários de Judith!

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No dia 28/06/16 novamente partimos para competir no Campeonato Carioca Offroad dessa vez em sua segunda etapa iniciando em Juiz de Fora/MG e terminando em Itaipava/RJ. Mais uma vez o carioca foi “englobado” por um evento maior a exemplo do Sudefest 2016 que uniu os campeonatos Carioca e Mineiro utilizando ambos a mesma planilha e ocorrendo ao mesmo tempo fazendo uma verdadeira “sopa” entre os participantes e deixando as coisas bem apimentadas com o evidente aumento no nível do campeonato. Se o Sudefest foi considerado com o já costumeiro nível de dificuldade experimentado pelos competidores do Carioca ao longo do ano, agora podemos dizer com certeza que saímos do ardor do molho de pimenta para o mais fino trato de uma pimenta baiana capaz de fazer homem grande chorar de dar pena.

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Cristiano Serpa, um navegador de primeira linha com incrível talento de traduzir em tulipas o mais puro desafio. Foto: Diários de Judith

Cristiano Serpa, um navegador de primeira linha com incrível talento de traduzir em tulipas o mais puro desafio. Foto: Diários de Judith

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Cristiano Serpa definitivamente não é alguém que teme a justiça divina, afinal de contas cobra dos competidores apenas o que acha razoável, infelizmente (ou felizmente) Serpa é um exímio navegador especialista na fina arte dos balaios e que na modesta opinião desse missivista ao plotar suas provas sai por ai como uma criança hiperativa que bebeu escondido 2 litros de energético fazendo um monte de estripulias por obstáculos e referencias naturais ou mesmo passando por dentro de casas, fornos de carvão e qualquer outra coisa que esteja no caminho, se visto do alto, como um pequeno ponto, aposto que chutaríamos se tratar de uma barata que passou por cima de uma poça de baygon, isso é fato. Mas não se enganem, Serpa sabe o que faz, compreende exatamente como colocar no papel o que saiu por ai criando no levantamento de tal maneira que é quase possível para alguns detectar que a prova foi feita por ele, mesmo sem assinar devido a precisão e também alguns toques, pequenos salpicos de “velocidade”, “Balaio”, “Obstáculos” para testar pontualmente Piloto, Navegador e Carro.

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Trechos estreitos com médias de velocidade altas e possibilidade de bloqueios, um teste para os nervos. (Foto:Whatsapp_Estrada_Real)

Trechos estreitos com médias de velocidade altas e possibilidade de bloqueios, um teste para os nervos. (Foto:Whatsapp_Estrada_Real)

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Ele não vai para o inferno por impor todo esse sofrimento devido a um pequeno detalhe chamado Mariana. Enquanto Serpa abraça firme a técnica da prova, Mariana cuida de muitas outras partes e essa mistura gera sempre um bom evento, seja no café da manhã disponibilizado, seja no trato na secretaria do evento, enfim, Mariana é um oásis no meio de um deserto de ansiedade antes do começo das provas mas toda essa tranquilidade esconde logicamente preocupação, porque o objetivo é que todos concluam sem ressalvas e o que seja determinante seja a precisão, mas acima de tudo que todos terminem em segurança, com muitas histórias para contar. Bem, sorte do pezinho, no dia do juízo final ele ainda tem uma chance de defesa.

Rally Estrada Real – Um ousado projeto unindo três campeonatos em um único evento de três dias.

Rally Estrada Real – Um ousado projeto unindo três campeonatos em um único evento de três dias.

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O Formato do Rally Estrada Real.

Bom, depois de todas essas palavras doces e carinhosas, vamos a corrida!! Ao embate!! Ao certame!!! Mas calma que ainda precisamos definir com vocês exatamente o formato do ESTRADA REAL 2016, foram três eventos em um sendo que ocorreu o Mineiro Offroad no primeiro dia, um trecho de deslocamento até Juiz de fora e finalizando com o Carioca Offroad no último dia. Nós corremos o ultimo dia que representa o Carioca Offroad e é sobre ele que iremos abordar, mas fiquem tranquilos!! A medida que saírem matérias de outros excelentes canais, vídeos, fotos e etc vamos divulgando por aqui, enfim, vamos lá com a terceira parte do Rally Estrada Real 2016.

Alem das três categorias do Rally (Graduados, Turismo e Light) o evento contou com a expedição que foi muito elogiada. (Foto:Whatsapp_Rally_Estrada_Real)

Alem das três categorias do Rally (Graduados, Turismo e Light) o evento contou com a expedição que foi muito elogiada. (Foto:Whatsapp_Rally_Estrada_Real)

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Desde que a organização adotou o formato “Carioca e Mineiro” dificultou um pouco nossa logística já que precisamos nos deslocar até o rally, nada absurdo sem dúvidas mas como não podemos nos dar o luxo de pernoitar (já que nossa pequena fica com os avós) precisamos fazer um “bate e volta” e nesse caso por exemplo foram umas 2 horas de viagem para chegar as 8:30 da manhã, largar aproximadamente as 9:40 e depois de umas 5 horas de prova esperar a apuração e partir de volta para casa em mais ou menos 1:30 horas com isso podemos dizer que para o carro e piloto que vão rodando significa uma maratona de quase 10 horas no volante. Entretanto deixamos claro que isso é uma particularidade de cada competidor e mesmo quando os eventos eram exclusivamente no estado do Rio de Janeiro (acredite é um grande estado, cabe muitos quilômetros nele) algumas vezes o bicho pegava do mesmo jeito.

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Então vamos começar?

Parte I – Velopé, tipo um carrossel só que movido a frustação e desespero.

A primeira parte do terceiro dia foi um absurdo conjunto de balaios, com poucas referencias e muita pressa… (foto:whatsapp_Rally_estrada_real)

A primeira parte do terceiro dia foi um absurdo conjunto de balaios, com poucas referencias e muita pressa… (foto:whatsapp_Rally_estrada_real)

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Após analisarmos a planilha, chegamos já repetindo um mantra, um lamento, uma angustia chamada “Velopé” que é basicamente uma pista de treinamento do Serpa que pela segunda vez inicia uma das etapas e devido aos inúmeros balaios e referencias curtinhas (com poucos metros) nos deixa literalmente em pânico, sendo que manter a média de velocidade nem é considerada hoje por nós um objetivo, conseguir acertar todos os balaios já é digno de estourar uma champanhe a cada um superado corretamente. Imagine um local, descampado com diferentes trajetos delimitados por mato e algumas arvores, imagine referencias como “pelo mato” ou então “após o cupim” e adicione um monte de carros tentando não se embolar todos devidamente cobertos por uma poeira infernal… Isso é a maldita “Velopé” um conjunto cruel de mato, referenciais curtas, poeira e desprezo pela sanidade mental dos competidores. E não deu outra, com um odômetro que simplesmente parecia se negar a ser minimamente preciso e toda essa pressão anterior, demos foi muita sorte de achar o caminho da saída desse labirinto agonizante, deixamos como sempre o desconto para as outras etapas da prova o qual geralmente conseguimos melhorar e descontar os erros. Na nossa opinião o lance foi maneiro para o pessoal da expedição que ficou assistindo, filmando, tirando foto e rezando para ninguém morrer…

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Parte II – “It’s Only Rock ‘n Roll but i like it”

A capa de estepe combinou bem com o sentimento da metade da prova, apesar de não ser simples, permitiu uma boa recuperação, mas infelizmente logo isso se mostraria inútil. Foto: Diários de Judith

A capa de estepe combinou bem com o sentimento da metade da prova, apesar de não ser simples, permitiu uma boa recuperação, mas infelizmente logo isso se mostraria inútil. Foto: Diários de Judith

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Na segunda parte da prova, por assim dizer, logico o nível continuou alto porem sem nosso maior problema que são hoje os balaios curtinhos (muito próximos) conseguimos uma melhora considerável na pontuação e tudo ia muito bem, parecia que de novo iriamos contar com todo o resto de prova para desfazer os erros cometidos no Velopé. Tinha balaio? Sim tinha, mudanças de media (velocidade) e sinceramente Serpa deu uma apimentada nessas medias, porque as planilhas eram todas iguais para todas as categorias, só mudavam as médias (foi até uma ideia bacana) mas a diferença entre as categorias eram bem apertadas, coisa de 2, 3 kms/h (Exemplo: Se a Graduado era um trecho em 55 km/h a Turismo seria 52 km/h e Light 49 km/h) logico que ocorreram algumas braçadas mas nada de absurdo e tudo compatível com o que já sabemos fazer muito bem, uma coisa interessante (que ficou claro depois) foi a ausência de uma pausa para almoço, como eu sai sem tomar café o estomago estava mandando lembranças e no deslocamento até tinha citação de um restaurante, mas no final das contas o negócio era meter o pé e se preparar para a terceira parte da prova, mas antes um deslocamento inclusive com pegadinhas, como ir margeando a linha do trem, se alguém erra com certeza ia atrasar… A esperança sorriu com a pontuação bem baixa em relação a primeira parte do velopé, mas logo… a realidade ia se mostrar uma vadia cruel… bem, no caso uma vaca cruel, sendo mais preciso… várias.

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Parte III – No alto daquele morro passa boi, passa boiada… você não.

Fim das esperanças quando boiadeiros bloquearam por mais de 5 minutos a estrada penalizando mortalmente alguns carros, entre eles… Nossa equipe. (foto:whatsapp_Rally_estrada_real)

Fim das esperanças quando boiadeiros bloquearam por mais de 5 minutos a estrada penalizando mortalmente alguns carros, entre eles… Nossa equipe. (foto:whatsapp_Rally_estrada_real)

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Na última parte do rally algo cruel ocorreu, sim porque diante da performance da segunda parte ainda existia uma esperança de melhorar nossa pontuação porem é como um estudante relapso querendo se garantir na prova final, se você adia para o final a decisão corre o risco de se decepcionar e foi o que ocorreu. Uma boiada tocada por 4 peões e dois cães literalmente fecharam o trajeto, causando um engarrafamento por onde passavam já que o local era estreito demais até mesmo para tirar os bovinos da frente, um completo e insano desespero, pois todos estavam ficando extremamente atrasados a medida que os longos minutos se arrastavam e cada vez mais a terceira parte da prova se repetia em relação a primeira com uma pontuação altíssima, dessa vez de forma até mais cruel pois conscientemente enquanto aguardávamos alguma atitude dos boiadeiros víamos nossas chances minguando junto com dos outros carros que ficaram presos. Nem todos os carros ficaram, essa sorte foi dada a apenas alguns que logo após conseguirem se livrar da boiada iniciaram um verdadeiro rally de velocidade em busca de reparar o irreparável, com um media “alta” para o costume tirar mais de 5 minutos de atraso era uma verdadeira utopia e foi o que se confirmou.

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A abordagem dentro de um haras desativado foi um dos pontos altos da prova (foto:whatsapp_Rally_estrada_real)

A abordagem dentro de um haras desativado foi um dos pontos altos da prova (foto:whatsapp_Rally_estrada_real)

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O trecho seria ótimo, com direito a um haras abandonado, passar por dentro de construções, caminhos estreitos a beira de lago e pontes, mas infelizmente por melhor que fosse o trecho era apenas uma passagem para os que presos ficaram atrás da boiada. Após terminarmos os trechos do haras outra corrida em busca de tirar o atraso, interessantemente que diferente do comum, não havia um neutro ou deslocamento até o pórtico final, a prova continuava rolando até ele, ou seja, só acabou quando o pórtico verde se fez presente, hora de lamentar e ver o que a organização nos reservava.

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Enfim festa, apuração e diversão.

Aguardando o resultado um excelente show de Rock animava a galera, tudo feito com muito carinho. (foto:whatsapp_Rally_estrada_real)

Aguardando o resultado um excelente show de Rock animava a galera, tudo feito com muito carinho. (foto:whatsapp_Rally_estrada_real)

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Não sabemos como foi o início do estrada real pois acompanhamos apenas a última parte, porem pelos relatos que recebemos foi compatível com o que vimos no seu final. Uma excelente infraestrutura com todo cuidado em um local fantástico acompanhado de um grande churrasco e um show ao vivo muito bom com o mais puro rock ´n roll. Logicamente a apuração precisou ser feita com bastante cuidado e alguns problemas ocorreram, mas contornados com sucesso. Tentamos ver uma solução para o trecho em que a boiada praticamente interrompeu o rally mas a direção de prova foi clara e firme em sua decisão de manter o trecho e considerar isso um risco aceitável em qualquer rally, ou seja, que vivamos com isso e aguardemos dias melhores.

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No final não se tratou de vacas ou do velopé, como sempre, se tratou de nossas limitações e um Rally é o local certo para mostrar os pontos fracos. (foto:whatsapp_Rally_estrada_real)

No final não se tratou de vacas ou do velopé, como sempre, se tratou de nossas limitações e um Rally é o local certo para mostrar os pontos fracos. (foto:whatsapp_Rally_estrada_real)

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Definitivamente o Rally Estrada Real deixou um legado, com sua qualidade e comprometimento. (foto:whatsapp_Rally_estrada_real)

Definitivamente o Rally Estrada Real deixou um legado, com sua qualidade e comprometimento. (foto:whatsapp_Rally_estrada_real)

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Premiação formidável, com troféus fantásticos e depois retornar para casa com diversos planos para o próximo certame. Como dissemos além do nível já alto do evento costumeiramente e com os participantes oriundos do Rally Estrada Real mesmo se tivéssemos feito uma prova como de costume não tínhamos uma grande pretensão em conseguir muitos pontos já que ao subirmos de categoria esse ano (apesar de batalhando para valer) entendemos que estamos em aprendizado, mas, não conseguimos manobrar as dificuldades na Velopé nem tivemos a sorte de evitar o bloqueio bovino na última etapa, ou seja, ficamos em 14º lugar em um grid de 22 equipes e conquistamos 12 pontos para o campeonato. Até o momento não temos a classificação geral do carioca, mas logicamente iremos atualizar assim que disponível.

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Ao fim do evento o prato de sempre… Planos para o próximo encontro, corrigir as falhas e perseguir a precisão. Foto: Diários de Judith

Ao fim do evento o prato de sempre… Planos para o próximo encontro, corrigir as falhas e perseguir a precisão. Foto: Diários de Judith

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A foto traduz o sucesso do evento. Desde 2013 não documentamos (ou tivemos conhecimento) de uma expedição/campeonato neste formato com tamanho numero de escritos. Foto: Diários de Judith

A foto traduz o sucesso do evento. Desde 2013 não documentamos (ou tivemos conhecimento) de uma expedição/campeonato neste formato com tamanho numero de escritos. Foto: Diários de Judith

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Nos mais é isso, com certeza um evento que merece ser mais uma opção nacional em rally de regularidade, excelente nível de organizadores e pilotos. E vamos que vamos porque ainda tem rally para correr esse ano!! Abração a todos!!

Fiquem ligados!! A medida que saírem os resultados, fotos, videos e etc iremos atualizando a matéria!!!

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