Continuando o post da semana passada, nosso amigo Eduardo Costa explica as principais diferenças entre rally de regularidade e rally de velocidade.

Não é só acelerar não! Vem cá ver!

E não esqueçam de nos contar o que estão achando, temos os comentários aqui no final do post e todas as nossas redes sociais à disposição.

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Regularidade ou velocidade?

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Oi Crianças, 😉

Curtiram um pouquinho do Cross Country? (se não viu clica aqui rápido!)

Então vamos lá, além da adrenalina, o que mais difere o Rally de Regularidade do Cross Country e do Velocidade? (Parte II, o retorno)

Bom, já vou avisando outra vez, leia esse texto com tempo porque é longo…. 🙂

Na vespa assada falamos do Cross Country 😉 dessa vez vamos ver um pouco do Rally de Velocidade.

Já deu pra perceber que o Cross Country é relativamente parecido com o Regularidade, mas e o Rally de Velocidade? No que se parece com o de Regularidade? Bom, só no “esquerda” e “direita” e no nome “Rally” porque de resto é tudo diferente…  🙂

A começar pelo carro, no Velocidade não há picapes, os carros são baseados em carros de passeio, apesar de ter os 4×4 como Mitsubishi Lancer, Subaru Impreza e protótipos como o XRC e o Maxi Rally a maioria no Brasil são os 4×2, como os Peugeot 206 e 207, Palio e Gol.

O WRC é um rally de velocidade e lá fora há uma série de equipes de fábrica como Volkswagen, Citroen e Hyundai. No Velocidade os carros também são preparados e possuem uma série de ítens obrigatórios de acordo com os regulamentos da CBA e FIA, como as gaiolas, cintos, etc etc.

No Velocidade o regulamento é ainda mais neurótico em relação aos tempos e horários, tem tempo pra tudo e mais controles que no Cross Country !!! É de matar o caboclo! Então muito cuidado com a cartela, sempre, lembre-se do “amá-la e respeitá-la”…

No Regularidade e no Cross Country via de regra você recebe a planilha na noite anterior à prova, mas o trecho é completamente desconhecido, você nunca passou por lá e tem que confiar na planilha  e no desenho da tulipa. Já no Velocidade não tem planilha, cada um faz a sua.

– Eita!! Como assim??

O Velocidade é dividido em 2 partes, o levantamento e a prova. Para o levantamento você recebe uma planilhinha bem das sem vergonhas que indica o local de início e fim da especial, o caminho que ela deverá seguir, as bifurcações e só. Com isso há um horário determinado (eles são maníacos por horário, é sério!!!) que é quando a dupla irá fazer o levantamento, ou reconhecimento do percurso, ou seja, é quando você fará a sua planilha.

O levantamento deve ser feito em um carro normal (diferente do que você vai usar no rally), com as estradas abertas e não pode passar dos 60 kms/h. Se o Haddad assumir a CBA um dia ele irá reduzir pra cinquentinha, pode apostar!

No levantamento você vai seguindo a planilhinha meia boca enquanto o piloto vai ditando a forma como ele quer receber a informação quando passar por ali, e o navega vai anotando com o carro andando, de forma codificada, não há o desenho de tulipas, há apenas as anotações. E você anota tudo que o piloto disser, cada curva, cada alto, cada lomba, a forma como as curvas estão encadeadas, o tipo de terreno…

E como fica o levantamento? Com algumas variações fica mais ou menos assim:

D2 / E32 // E4L 100 ♎️3➡️

E você lê assim:

Direita dois sobre esquerda três fecha dois junto de esquerda quatro longa, com 100 alto três pela direita…..  (Respira!!)

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Planilha feita pelo navegador para rally de velocidade

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Os números indicam a graduação da curva, isso pode variar um pouco mas geralmente uma D2 (Direita 2) é uma direita 90 graus, no WRC eles chamam as curvas de 90 graus de “square” (quadrada) aí fica “square right”, “square left”. Uma 3 é uma curva um pouco mais aberta, uma 4 é mais aberta ainda e por aí vai até a 5 que é quase uma reta. Uma E32 é uma curva de dois raios, uma Esquerda 3 que fecha em uma Esquerda 2.

Como o navega anota tudo no levantamento com o carro andando, geralmente o resultado final  são 9 ou 10 páginas de garranchos esquisitos e ilegíveis que depois ele deve repassar e ajustar para ficar claro e compreensível.

Dica: no Velocidade a gente usa lápis!!!

Aqui não há instrumentos de navegação como no Regularidade e no Cross Country, não tem Totem, kit piloto, GPS, planilha eletrônica… Nada. Só o seu caderno com o levantamento. Você faz o levantamento andando lentamente e depois dá mais uma ou duas passadas conferindo, sempre respeitando o regulamento e o limite de 60 km/h para fazer a conferência.

Já deu pra sacar que o ritmo aqui é muuuuito mais rápido que no Cross Country né? Você canta tudo, algumas vezes têm retas de 200, 300 metros, mas normalmente é referência em cima de referência. Por outro lado as especiais são bem mais curtas, 9, 12, 20 kms e o tempo de prova também é curto, no RPV (Rally Paulista de Velocidade) em Taubaté no final do ano passado havia uma especial de 11,5 kms e os ponteiros estavam fazendo na casa dos 8 minutos e meio. Muito rápido!

Então vamos correr!

Nesse ponto o esquema é o mesmo, você entra no carro, afivela os cintos, capacete, HANS, se prepara e quando chegar a sua hora vai pro controle. No seu tempo exato você pega sua cartela (outra vez a cartela…) assina a ficha e quando o controlador liberar você sai pro deslocamento inicial. Como no Cross Country o deslocamento inicial tem um tempo pré-determinado e geralmente folgado, assim você chega no início da especial e entra na fila para esperar chegar seu horário de fazer o controle de largada. No seu horário você controla, assina a ficha e tem os 3 minutos até seu horário de largada. Use the Force!

Contagem regressiva: 10, 9….. 3, 2, 1, vai vai vai!!!

E aí começa:

Direita dois sobre, esquerda três fecha dois, junto de esquerda quatro longa, com 100,  alto três pela direita…

E segue nesse ritmo insano lendo suas 9, 10, 15 páginas de levantamento. Por outro lado aqui não há way points pra checar, acerto de hodômetro, zonas de radar, nada disso. Ainda assim o Velocidade exige muito mais concentração do que o Cross Country, aqui não dá para piscar, beber água… Nada. É localizar a referência e cantar no ritmo do carro e do piloto e continuar.

É um tiro curto, mas com muito mais adenalina!

Sua atenção é total, é uma referência sobre a outra por 10, 20 minutos ininterruptos e se você se distrair por 0,5 segundo, pode pular uma referência e ao invés de cantar a próxima que é uma curva fechada (E2) vc canta uma aberta (E4), o piloto vem com o pé embaixo e lá se vão os dois pelo barranco…

Já parei pra pensar e não achei nada que eu faça que exija tanta concentração como navegar no Velocidade. É impressionante. Por outro lado o prazer de andar com o pé embaixo, fazer as curvas de lado, fazer uma sequência de curvas e ganchos sem perder tempo é indescritível.

Bom e depois de alguns minutos muito intensos, vc chega ao final da especial, passa pela fotocélula com o pé embaixo e reduz até chegar ao controlador de chegada, que anota seu tempo e te libera para ir para a próxima especial, aí você faz as contas do tempo de deslocamento, chega na boca da especial e espera novamente seu horário de controlar e largar.

Dependendo da prova são feitas 2 ou 3 especiais em seguida, aí você volta ao parque de apoio, mas tem que esperar para controlar na entrada do parque no seu tempo, respeitar o tempo determinado no apoio e controlar novamente na saída. Aí segue o mesmo esquema para as outras especiais. A princípio todos esses controles parecem ser coideloco, e são mesmo, mas eles tem uma lógica: a da igualdade. Os controles são uma forma de garantir que todos os competidores tenham exatamente os mesmos tempos para realizar os serviços de apoio, caso contrário um piloto mais rápido teria mais tempo de apoio do que um piloto mais lento. É doido, mas é justo.

Num rally como o Paulista de Velocidade você corre 2 ou 3 especiais em seguida dependendo da prova, volta ao parque do apoio para fazer uma revisão mega rápida e reabastecer, geralmente em um tempo EXATO de 40 a 60 minutos e depois volta para mais 2 ou 3 especiais. As provas do Campeonato Brasileiro normalmente são de 2 dias, então tem mais especiais.

Depois da última especial a dupla faz o deslocamento final até o parque fechado de chegada, onde os carros permanecem para que a CBA possa inspecioná-los caso necessário.  Nesse meio tempo é hora de esperar pela apuração e se você andou bem…. Ir buscar seu troféuzinho!!!!

Uma coisa todos os rallys tem de igual: o prazer de subir ao pódio!!!

Bom, chega por hoje!
Hora de controlar pra sair.
Fui.

Edu Costa

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Continuem por aqui que sempre tem novidade!  🙂

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