Conversamos com André Miranda, piloto da categoria Pro-Brasil no campeonato Brasileiro de Cross Country sobre sua estreia na categoria e da sua New Triton RS preparada pela Mitsubishi. Confira seu relato na prova de abertura do campeonato 2017.

No ano passado com os resultados obtidos percebemos que poderíamos evoluir muito mais. Corríamos na categoria super production com uma L200 RS antiga, na qual colocamos um motor V6, preparando-a dentro do que o regulamento da categoria nos permitia. O carro ficou muito bom, muito bom mesmo e muito competitivo para nossa categoria. Ficou tão bom que começamos a perceber que estava nos incomodando a categoria de protótipos. Para se ter uma ideia, durante o ano passado chegamos a ficar em segundo lugar na geral em uma etapa e numa outra  em quarto lugar no geral, isto no meio dos protótipos que são carros bem mais potentes que o nosso e  bem à frente dos primeiros colocados da nossa categoria, a super production. Desta forma, percebemos que esta categoria estava  nos limitando, nós poderíamos ir  além, deveríamos e podíamos melhorar nosso desempenho, e este foi o momento de darmos um passo à frente.

Viemos da categoria de base, depois para a super production, e este foi o momento de evoluirmos novamente e assim ganhar mais espaço. Então, no final do ano, começamos olhar alguns carros usados, alguns Sherpas. Conversando com outros competidores amigos tivemos uma dica do Youssef que nos pediu pra aguardar que viriam novidades. E a novidade chegou! 15 dias após essa conversa, a Mitsubishi colocou à venda as Tritons RS modelo 2017, por um preço um pouco acima do que esperávamos investir mas, sendo uma Triton toda preparada pela Ralliart valeu a pena. Assim, confirmamos o nosso interesse na Triton! No início do ano a Mitsubishi começou a preparar os carros com manutenção em dia, pintura nova e toda reestilizada para o modelo 2017.

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Recebemos o carro na sexta-feira antes do carnaval, então passamos janeiro inteiro ansiosos pelo que viria pela frente e apreensivos pelo recebimento do carro porque a primeira prova do campeonato no ano já aconteceria no dia 10 de março. Chegado o grande dia, sexta-feira de Carnaval, recebemos o carro e no mesmo dia testamos a nova L 200 em uma pistinha da própria  Mitsubishi em Mogi-Guaçu.

Já nesses primeiros testes vimos que realmente o carro oferecia tudo que era prometido. Um carro muito bom, forte de motor, ótimo de suspensão, um carro muito confiável e fácil de dirigir. Lógico que é um carro bem diferente da minha antiga L200, com estilo de pilotagem totalmente diferente, esta era minha grande preocupação, já que a data da primeira prova estava bem próxima.  A primeira etapa do Campeonato Brasileiro de Cross Country, um campeonato muito competitivo, com excelentes pilotos… Não podemos dar bobeira.

Assim, com o carro em mãos, passamos o carnaval todo, um dia debaixo do carro, outro dia dentro do carro, instalando equipamentos como rádio intercomunicador, ajustando itens de segurança, tudo para deixar o carro pronto pra corrida. Na segunda-feira de carnaval tivemos  oportunidade de testar o carro novamente, desta vez  em Indaiatuba. Saímos de lá com acerto de amortecedor e também um ajuste fino de suspensão e direção. Não era o ideal ainda mas já estávamos buscando uma melhora no carro. Assim, até a semana seguinte ao carnaval, conseguimos deixar o carro pronto para próxima etapa, pelo menos os itens de vistoria, com algumas instalações na parte elétrica, alguns outros itens como uma linha reserva de combustível, já que no cross country, para ganhar, precisa chegar e para chegar, você precisar contornar os diversos problemas que pode encontrar no meio do caminho, então preparamos o carro com bastante sistema suplementar (sistemas reservas ) para não termos problemas no meio do caminho.

Chegou o dia tão esperado depois de receber o carro: a data da primeira prova do campeonato.

Chegando em Barretos fomos correndo fazer vistoria, já que ainda tinha uns acertos para fazer no carro ( e foram muitos). Na sexta-feira não perdemos tempo, continuamos com a preparação do carro que se estendeu pelo sábado de manhã. Para você ter uma ideia, o carro acabou ficando pronto 10 minutos antes da largada, que aconteceu às 12h30. Aquela história dos 45 minutos do segundo tempo literalmente aconteceu!!!! E ainda assim, foi só um gostinho, porque assim que saímos para abastecer e aferir o carro o totem não estava marcando corretamente, não estava aferindo. Mais uma correria… Felizmente, encontramos um erro e conseguimos aferir o carro. Finalmente, foi só vestir as luvas, colocar o capacete e partir para o controle de largada.

Ainda na agonia de tudo que passamos, a ansiedade para receber o carro, o pouco tempo que tivemos para ajustar os problemas enfrentados para prepará-lo, os primeiros quilômetros da especial serviram para conhecermos um pouco melhor a máquina que tínhamos em mãos, então seguramos um pouco no início, fomos mais conservadores, mas pelo 135 km da especial fomos no soltando aos poucos e aumentando o ritmo, na medida que ficávamos mais confortáveis e confiantes com o carro, aí sim começamos andar muito bem, até que… No km 100 perdemos o pedal de embreagem, pisava e ele colava o fundo, mas como passamos por diversas vezes por este problema nos anos anteriores conseguimos tirar de letra, trocando a marcha no tempo, pelos 35 km faltantes.

Lógico que num ritmo menor, com objetivo de chegar e analisar nossa performance na primeira prova com carro novo, ao passar por diversos adversários da nossa categoria com problemas mecânicos ao longo do caminho, percebemos realmente que chegar ao final da prova era muito importante. Neste ritmo, completamos os 35 km que faltavam e ao final da prova, para nossa surpresa, chegamos em segundo na nossa categoria e quarto na geral, o que nos deixou muito felizes, principalmente por toda a dificuldade que encontramos pelo caminho.

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Enfim, chegamos ao final da primeira especial com  o carro novo e com um resultado muito positivo. Partimos para lavar o carro, para que a equipe pudesse encontrar o problema e resolve-lo para o próximo dia. Trocamos o fluido da embreagem, vimos que tinha bastante ar no sistema de acionamento da embreagem, com isso resolvemos todos os problemas, mas claro que aproveitamos pra fazer mais alguns ajustes finos, mexendo em suspensão, mola e freios. Partimos pra especial do domingo, mais confiantes ainda e felizes com o resultado que tivemos no dia anterior.

No domingo, fomos pra cima. Largamos muito forte, andamos o 135 km da prova no limite que conseguimos, mesmo que novamente a embreagem tenha nos deixado na mão no km 60 desta vez, mas como estava com a faca nos dentes, fui trocando a marcha no tempo e a cada km que andávamos ficava cada vez mais fácil fazer isso. Nesse dia tínhamos a vantagem de ter largado mais a frente, na quarta posição do grid, o que facilita as coisas, já que no dia anterior encontramos muitos competidores parados no meio da especial e outros mais lentos, tendo assim, que fazer algumas ultrapassagens e com isso perdendo algum tempo. No domingo não passamos por isso e pudemos andar cada vez mais forte, tirando tudo que tinha do carro, mesmo que,  outra vez sem a embreagem. Conseguimos terminar a prova grudados no T-Rex do Michel Terpins e do Beco.

Os últimos 15km de prova foram os mais tensos e emocionantes já que neste final de prova estávamos andando na poeira do carro da frente. Nesta hora, a gente para até de ouvir o navegador, dá aquela ansiedade, sabendo que você está andando no ritmo mais forte que seus adversários e a única coisa que você quer é colar na traseira dele, por isso você pisa cada vez mais. Mas, exatamente nessa hora que é importante mantermos a calma, controlarmos a ansiedade, para  não acabarmos  fazendo uma besteira e perder a prova por bobeira. Estávamos no final da prova, então mantivemos uma distância para que a poeira não atrapalhasse tanto a gente, cruzamos a linha de chegada a cerca de 100 m do Michael e Beco. Assim, já sabíamos que tínhamos feito uma excelente prova, pois o Michael é uma referência e o carro dele é muito bom, “buscando eles” na pista significa que andamos muito bem também.

Fim de prova, fizemos o deslocamento final. Acompanhando os próximos competidores e chegando ao fim da prova, fomos percebendo que nosso ritmo foi muito forte e que gravamos um primeiro lugar na categoria. Para uma estreia de prova e com um carro novo, foi incrível!!!! Uma sensação absurda de dever cumprido e um trabalho bem feito. Valeu toda preparação que tivemos nesses últimos dias, a correria, o treinamento ( inclusive de troca de pneu), e ao terminar uma prova como esta,  na posição em que terminamos é onde temos a certeza que tudo valeu a pena.

A comemoração continua, muitos vieram nos parabenizar, a repercussão está sendo incrível com esta vitória. Estamos muito felizes com isso e agora muito mais ansiosos pela segunda prova para tentar repetir um resultado tão bom quanto este.

Próxima prova  será a Mitsubishi CUP,   já estamos preparados, será uma prova muito diferente desta que participamos, com outros competidores e sem dúvidas, competidores muito rápidos, com uma prova diferente, o ralicross, novidade para muitos de nós, não sei o que esperar desta prova, mas com certeza uma prova que vai agradar a todos. Terminando a CUP, é hora de embarcar para Natal, segunda etapa do Brasileiro. Vamos pra cima! Até lá.

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O André Miranda tem o apoio da BASF, SFI Chips e do Tulipa Rally.