O Rallye Monte-Carlo 2017, primeira etapa do World Rally Championship entrou com certeza para a história como uma das maiores viradas, não a unica, mas uma das mais dramáticas já vistas no WRC. E promete que muito mais emoções possam aparecer durante o ano, tudo porque envolve um turbilhão de emoções que vão muito alem de fãs de uma marca ou de um piloto.

Mas qual o “motivo” de toda essa agitação? Simples, podemos dizer que todos foram assistir um lindo filme de superação estrelando o piloto Sebastien Ogier que ficou literalmente sem emprego com a saída da Volkswagen do WRC, mas reapareceu pilotando um Ford Fiesta da M-SPORT.

“Ogier, já uma lenda estava sem emprego no fim da temporada de 2016 devido a saída da Volkswagen do WRC, mas voltou com um Ford Fiesta da M-SPORT para causar um turbilhão de emoções”

Até aí, nenhum problema, apenas alegria para todos, inclusive seus oponentes que celebraram a chance de ter na pista um piloto como Ogier, entretanto, o SHAKEDOWN chegou e com ele uma promessa de que não seria uma simples participação.

“O que era alegria por parte de todos se transformou em preocupação, principalmente para Hyundai. Já que esse ano era considerado o ano dela com a saída da Volkswagen, mas Ogier definitivamente tem (e deixou claro) outros planos para o ano de 2017″

Como noticiamos ainda na quinta-feira (19/01/17) em sua primeira aparição pública com o Ford Fiesta da M-Sport, cravou o melhor tempo após percorrer os 3.35 kms do Shakedown sendo 4.2 segundos mais rápido que o Skoda Fabia R5 WRC2 spec de Andreas Mikkelsen’s e 1.9 segundos na frente de seu companheiro de equipe Ott Tänak.

O filme parecia ter ganho enfim um título e um protagonista, seria algo sobre superação, seria algo girando em torno de Ogier e seu retorno surpreendente, foi então que o primeiro dia chegou e se foi tão extasiante quanto os resultados do dia anterior, o primeiro dia veio representado pelas duas primeiras especiais (SS) sendo a SS1 – “Entrevaux – Val de Chavagne – Ubraye” e a SS2 – “Bayons – Bréziers” mas parece que ninguém esperava por um novo personagem e o inicio da primeira virada… literalmente.

Ogier, Neuville, Paddon, Sordo, Latvala, TANAK e MEEKE partiram rumo ao final da SS1 porem um fortíssimo acidente com PADDON iria permitir apenas a conclusão de Ogier (Ford M-Sport) e Neuville (Hyundai) inviabilizando o trecho e provocando o cancelamento, uma medida um tanto quanto “extrema” mas que depois revelou o verdadeiro motivo, a morte de um espectador.

“A confirmação do cancelamento e o relato da morte do expectador”

No meio do caos, um pequeno detalhe iria nortear os dias que se seguiram: Os 7.8 segundos que Neuville cravou em cima de Ogier. Ali tanto Neuville quanto Ogier inciariam o combate franco e honesto, um representando sua competência e vez de lutar pelo campeonato com seu Hyundai i20 e o outro buscando dar um recado claro de que seja com Volkswagen, seja com Ford ele ainda era o campeão.

“O segundo dia chega e os 7.8 segundos de vantagem se ampliam magnificamente”

Em um dia crítico, com colisões de Kris Meeke, Juho Hãnninen inviabilizando-os de prosseguir e pegas fantásticos envolvendo o próprio Meeke (que assombrou Neuville até colidir) e também entre Ogier e Tanak, quase que silenciosamente, o piloto Hyundai, Thierry Neuville abria inacreditáveis 45.1 segundos de diferença para o segundo colocado Ogier, nesse momento não existia mais dúvidas, os holofotes apontavam para Neuville e com essa diferença, relegavam Ogier a penumbra.

“A diferença de Neuville para o segundo colocado Ogier, definia o que se esperava por vir….”

O terceiro dia chegou, praticamente o “ultimo dia de rally”, lógico que na verdade o penúltimo, mas desse ponto em diante não se esperam grandes viradas, não se supõe grandes decisões para o domingo, a não ser diferenças de poucos segundos.

Até que noticiamos: Neuville vinha liderando o campeonato desde o inicio colocando uma forte vantagem em relação a Ogier, aparentemente garantindo sua vitória no Rallye Monte-Carlo, porém um impacto na última puxada deste sábado, transformou o sonho em um cruel pesadelo, logo quando esperávamos que o drama de Paddon que ao colidir ainda na SS1 e resultando em um espectador morto fosse o ápice reservado de frustração para essa etapa. Neuville ao deixar escapar seu Hyundai i20 WRC 2017 SPEC, danificou sua suspensão de tal forma que foi impossível prosseguir. O francês não descansou e conforme pilotou ao longo do dia, cravou fúria no relógio deixando seu colega de equipe Ott Tanak 47.1 segundos atrás de sua performance. Ogier de fato pilotou acima do limite comum ao longo de todo o dia e apesar disso quase colocou tudo a perder quando seu carro literalmente escapou do traçado, mas sem problemas em um lance de pura sorte e talento evidentemente.

“Determinação, mesmo tendo plena certeza de que sua corrida estava arruinada, Neuville se manteve focado em completar a corrida”

Neuville ao perceber o dano, desceu do carro e trabalhou furiosamente para reparar o mesmo e conseguir atingir dentro do tempo máximo a linha de chegada, para isso levou aproximadamente 30 minutos de agonizante espera para todos e garantiu o 15º lugar.

“Era uma curva leve para esquerda e na saída a traseira escapou demais e acertei alguma coisa, não sei o que.” – Disse Neuville.

E ao final do dia, a incrível coincidência na diferença de Ogier para o segundo colocado. Ainda na casa dos 40 segundos, como estava Neuville.

No domingo, após dias de viradas dramáticas, a normalidade reinou e Sebastien Ogier venceu o Rallye Monte-Carlo. Um feito icônico, já que além de seu retorno em uma outra equipe, de forma abrupta, devemos levar em consideração os novos regulamentos e especificações dos carros.

“Independente do carro, ainda o local mais alto do pódio…”

Uma grande surpresa ocorreu com o segundo lugar de Jari-Matti Latvala dando à Toyota um excelente resultado em sua volta ao WRC, algo que estava fora de cogitação até que Ott Tanak teve problemas e perdeu um segundo lugar praticamente na mão, mas ainda conseguindo se manter em terceiro.

E ao final de um rally eletrizante, Sebastien Ogier de volta ao topo.

“Tivemos de tudo, tivemos Ogier de volta, Neuville voando, Toyota depois de 17 anos chegando ao WRC com a Volkswagen de partida, fatalidade com a morte do espectador, problemas mecânicos, neve (sim muita neve) e diversos percalços que apenas abrilhantaram esse magnífico Rallye”, finaliza Rodrigo Souza, do Diários de Judith.

Nos vemos em breve na próxima etapa que irá ocorrer na Suécia de 09/FEV a 12/FEV. Acreditem, acho que além de todos nós, existe um certo piloto que virá com a faca nos dentes. Vai ser imperdível!

Por Rodrigo Souza, Diários de Judith