A confirmação de Maria Beltrão como a escolha da TV Globo para apresentar o Oscar 2025 acendeu debates fervorosos nas redes sociais. Os críticos da decisão foram rápidos em destacar o passado de seu pai, Hélio Beltrão, que ocupou cargos de destaque durante a ditadura militar brasileira e apoiou o polêmico Ato Institucional nº 5 (AI-5). Esta medida, conhecida por agravar a repressão e restringir liberdades civis na época, lançou uma sombra sobre a carreira da jornalista, apesar de suas competências profissionais.
O Impacto do Passado
O fator desencadeante do atual escrutínio está relacionado ao representante do Brasil para o Oscar, Ainda Estou Aqui, dirigido por Walter Salles. O filme aborda o desaparecimento do deputado Rubens Paiva, um caso notório de violência do Estado durante o regime militar. Este paralelo fez com que muitos questionassem a imparcialidade de Maria Beltrão ao retirar protagonismo a eventos históricos cruciais como o que seu pai foi associado.
Nas redes sociais, acusações se misturam a defesas apaixonadas da apresentadora. Um usuário destacou que o envolvimento de Hélio Beltrão na ditadura o vinculou diretamente ao regime responsável pela morte de Rubens Paiva, sugerindo um conflito moral de interesse para sua filha.

A Reação do Público e da Crítica
Muitos se perguntam se as ações de um pai deveriam, de alguma forma, pesar sobre a carreira de uma filha, especialmente quando ela já desenvolveu uma trajetória profissional sólida. Defensores de Maria argumentam que sua carreira é pautada por competência e ética jornalística que nada têm a ver com o legado político de seu pai.
Entretanto, o timing do lançamento de *Ainda Estou Aqui* e sua recepção internacional, com nomeações em três categorias – incluindo Melhor Filme Internacional – atuam como gasolina no fogo do debate. A atriz Fernanda Torres, que protagoniza o longa, já recebeu reconhecimento por sua atuação intensa, colocando ainda mais holofotes sobre o projeto e suas histórias complexas.
O caso de Maria Beltrão reflete uma discussão maior sobre herança familiar e responsabilidades individuais. Enquanto a conversa continua nas mídias sociais e além, resta ver como isso afetará a cobertura do Oscar pela TV Globo e se a profissional conseguirá dissociar sua imagem dos eventos passados em prol de uma análise mais objetiva e focada na atualidade.