Novo coronavírus em morcegos causa alerta: potencial de infecção humana
Thales Monteiro 24 fev 0

Descoberta Inquietante: Novo Coronavírus em Morcegos

Um novo tipo de coronavírus foi identificado por uma equipe de cientistas chineses, causando uma nova onda de preocupações na comunidade científica. Batizado de HKU5-CoV-2, este vírus surgiu em populações de morcegos-anões, uma espécie amplamente encontrada na Europa, Ásia e norte da África. É particularmente espantoso porque, assim como o famigerado SARS-CoV-2, causador da pandemia de Covid-19, o HKU5-CoV-2 possui um método especial de invadir células humanas.

A pesquisa, conduzida pelo Instituto de Virologia de Wuhan em colaboração com o Laboratório de Guangzhou, foi publicada nas prestigiosas revistas *Cell* e *Nature*. Shi Zhengli, uma figura proeminente da virologia que ganhou destaque durante a pandemia, mais uma vez está à frente dessa importante descoberta.

Mecanismo de Infecção e Possíveis Implicações

O HKU5-CoV-2 se utiliza da enzima conversora de angiotensina 2 (ECA-2) para entrar nas células humanas. Essa atuação é semelhante ao processo utilizado pelo SARS-CoV-2, com a ECA-2 atuando como uma 'chave' que abre as portas das células nos pulmões, coração e intestino para a infecção. Trata-se de uma descoberta significativa, pois põe em evidência os riscos potenciais de transmissão zoonótica.

Inserido no subgênero Merbecovirus, parte da família dos Betacoronavírus, o HKU5-CoV-2 traz à tona preocupações sobre sua capacidade de transmissão entre espécies. Embora em seres humanos ainda não tenha sido identificado, os experimentos laboratoriais já indicam que o vírus consegue infectar com sucesso tecidos pulmonares e intestinais compostos por células humanas.

Os autores da pesquisa ressaltam a importância de investigar os riscos de uma possível disseminação do vírus em humanos. Até que mais dados sejam recolhidos, a vigilância contínua em populações de morcegos e outros animais é crucial para detectar quaisquer sinais iniciais de adaptação do vírus à transmissão entre espécies.

Tal descoberta reforça a necessidade de prudência e preparação, já que o surgimento de novos patógenos com potencial de infecção humana se apresenta como uma realidade constante no mundo moderno. Com esse conhecimento, os pesquisadores esperam contribuir para a formulação de estratégias de prevenção e controle de futuras epidemias.