Governo Trump libera venda de ouro venezuelano para os EUA
Raniere Macias 22 abr 0

O governo de Donald Trump deu um passo decisivo na reestruturação das relações com a Venezuela ao autorizar, nesta sexta-feira, 6 de março de 2026, a venda de ouro venezuelano para os Estados Unidos. A medida, que flexibiliza as sanções impostas por Washington, acontece após a queda dramática de Nicolás Maduro no início do ano. Agora, o metal precioso volta a circular legalmente, mas sob regras rígidas de fiscalização americana.

Aqui está o ponto central: a autorização não é um "cheque em branco". De acordo com a licença publicada pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, as transações agora são permitidas com a Companhia Geral de Mineração da Venezuela (Minerven) e suas subsidiárias. Mas há um detalhe crucial: apenas empresas estabelecidas nos EUA podem comprar esse ouro para posterior reexportação. Ou seja, Washington quer ter o controle total de quem toca no metal e para onde ele vai.

A engrenagem do controle e a rastreabilidade

Para evitar que o ouro acabe nas mãos de adversários geopolíticos, o governo Trump implementou um sistema de rastreabilidade rigoroso. Interessante notar que a licença proíbe terminantemente qualquer transação que envolva Irã, Coreia do Norte, Rússia, China e Cuba. É exatamente a mesma trava que já funciona para as exportações de petróleo venezuelano, criando um cerco financeiro contra esses países.

O dinheiro não vai direto para as mãos do novo governo em Caracas. Seguindo o modelo do crude, as receitas das vendas de ouro e os impostos associados devem ser depositados em um fundo especial supervisionado pelo Tesouro americano, que atualmente está sediado no Qatar. Essa manobra garante que os fundos sejam usados para a estabilização do país e não desviados.

Em um gesto simbólico e material, Doug Burgum, o Secretário do Interior dos EUA, transportou pessoalmente cerca de 100 milhões de dólares em ouro da Venezuela para território americano. A operação marca o início físico dessa nova era de intercâmbio mineral.

Abertura econômica e a nova Lei de Hidrocarbonetos

Essa abertura não se limita ao ouro. A Venezuela vem movendo as peças para atrair capital privado. O país reformulou sua lei de hidrocarbonetos, permitindo que empresas privadas tenham uma fatia maior no setor petrolífero. Como resultado, o governo Trump já autorizou cerca de seis empresas privadas a retomarem suas operações no terreno venezuelano.

Essa mudança de rumo é drástica se compararmos com a década passada. Onde antes havia nacionalizações e conflitos diplomáticos, agora vemos a tentativa de montar um modelo de "capitalismo supervisionado". A ideia é que a economia venezuelana se recupere rapidamente, mas sob a batuta de Washington, evitando que o vácuo de poder seja preenchido por influências externas indesejadas.

Conexões aéreas e a normalização diplomática

A normalização também está chegando aos aeroportos. A American Airlines recebeu a aprovação para operar voos diretos entre Miami e a Venezuela. A expectativa é que as aeronaves comecem a decolar nos próximos meses, facilitando não apenas o turismo, mas o fluxo de executivos e diplomatas.

Tudo isso é reflexo direto da detenção de Maduro por forças americanas no começo de 2026. A remoção do antigo líder abriu caminho para que Trump aplicasse sua estratégia de "paz através da força" e a subsequente recompensa econômica para quem se alinha aos interesses dos EUA.

O que esperar dos próximos meses

O que esperar dos próximos meses

O cenário agora é de observação. O mercado quer saber se a Minerven conseguirá escalar a produção de ouro sem os gargalos de corrupção do regime anterior. Além disso, a eficácia do fundo no Qatar será testada: será que a Venezuela terá acesso a esses recursos para investir em infraestrutura básica ou o dinheiro ficará retido como garantia política?

A curto prazo, a tendência é de mais licenças para empresas de mineração e possivelmente a reabertura de embaixadas plenas. A Venezuela deixa de ser um "pária" para se tornar um ativo estratégico dos Estados Unidos na região.

Perguntas Frequentes

Quem pode comprar o ouro venezuelano agora?

Apenas empresas legalmente estabelecidas nos Estados Unidos estão autorizadas a comprar o ouro da Minerven. Essas empresas podem, posteriormente, reexportar o metal, mas devem seguir rigorosamente as normas de rastreabilidade impostas pelo Departamento do Tesouro.

Para onde vai o dinheiro das vendas de ouro?

As receitas e impostos das vendas não vão diretamente para o governo venezuelano. O valor é depositado em um fundo especial supervisionado pelo Tesouro dos EUA, localizado no Qatar, seguindo o mesmo modelo já utilizado para as vendas de petróleo.

Quais países estão proibidos de negociar esse ouro?

Existe uma proibição total de transações que envolvam Irã, Coreia do Norte, Rússia, China e Cuba. Qualquer empresa que tente desviar o ouro para esses destinos poderá enfrentar sanções severas do governo americano.

Como a lei de petróleo da Venezuela mudou?

A Venezuela reformou sua lei de hidrocarbonetos para permitir a entrada de capital privado e a participação de empresas estrangeiras no setor de petróleo, revertendo a tendência de estatização total do regime de Maduro.

Haverá voos diretos para a Venezuela?

Sim. A American Airlines já recebeu autorização para operar voos diretos saindo de Miami. A operação deve começar nos próximos meses, marcando a retomada dos vínculos comerciais e turísticos entre os dois países.